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Boletim Técnico Nº 17
DESVENDANDO RIO PRETO:
Pesquisa Descritiva e Exploratória
Ref: junho/2007
Observatório Socioeconômico – um projeto do
Consórcio Universitário de 
Pesquisa da Região Norte 
Fluminense
Um Convênio:
CEFET – UENF – UFF – UFRRJ – ISECENSA - UNIVERSO
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Autores deste Boletim:
Gerson Tavares do Carmo
Pesquisador Convidado
Professor do ISECENSA
André Fernando Uébe Mansur
Professor do ISECENSA
Equipe Técnica do Observatório:
Romeu e Silva Neto
Professor – CEFET Campos
Ailton Mota de Carvalho
Professor do CCH – UENF
José Luis Vianna
Professor – UFF
Hamilton Jorge de Azevedo
Engenheiro Agrônomo – UFRRJ
Simone Flores Soares
Professora – UNIVERSO
André Fernando Uébe Mansur
Professor - ISECENSA
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Apresentação
Observatório Socioeconômico da Região Norte Fluminense foi criado em 
02 de janeiro de 2001. Trata-se de um Projeto de Pesquisa desenvolvido através de 
uma   parceria   estabelecida   entre   o  NEED   –   Núcleo   de   Estudos   em   Estratégia   e 
Desenvolvimento
  do  CEFET   –   Centro   Federal   de   Educação   Tecnológica   de 
Campos
, a UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense representada pelo 
CCH – Centro de Ciências do Homem, a  UFF – Universidade Federal Fluminense 
representada pelo  Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional, a 
UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro representada pelo Campus 
Dr. Leonel Miranda, 
e a UNIVERSO – Universidade Salgado Oliveira (Sede Campos) 
representada   pela  Coordenação   do   Curso   de   Administração   de   Empresas.   Em 
novembro de 2005, passou a fazer parte do Observatório o  ISECENSA - Institutos 
Superiores   de   Ensino   do   CENSA
.   Essas   seis   instituições   formam   o  Consórcio 
Universitário   de   Pesquisa   da   Região   Norte   Fluminense
.   Esse   consórcio, 
atualmente, desenvolve dois trabalhos de pesquisa: O Projeto de Pesquisa intitulado 
Configuração do Mercado de Trabalho da Região Norte Fluminense: Mapeamento das 
Cadeias Produtivas e Alternativas de Geração de Empregos
 apoiado pela FAPERJ e o 
já mencionado Observatório Socioeconômico da Região Norte Fluminense.
O   Observatório  tem   a  finalidade   principal  de   coletar,   analisar   e  disponibilizar 
dados   e   informações   que   possam   dar   suporte   à   tomada   de   decisões   de   agentes 
públicos e privados e que auxiliem a concepção de políticas e estratégias municipais 
que   venham   a   melhorar   a   qualidade   de   vida   da   população.   Seus   estudos   estão 
direcionados   para   as   áreas   de   emprego,   renda,   saúde,   educação,   habitação   e 
saneamento dos municípios da Região Norte Fluminense: Campos dos Goytacazes, 
Macaé, São João da Barra, Quissamã, Conceição de Macabu, Carapebus, São Fidélis, 
São Francisco de Itabapoana e Cardoso Moreira. 
De   forma   complementar,   o   Observatório   também   monitora   indicadores 
socioeconômicos das principais cidades de cada uma das mesorregiões do Estado do 
Rio de Janeiro: Noroeste – Itaperuna, Serrana – Petrópolis, Lagos – Cabo Frio, Sul – 
Volta Redonda, e Metropolitana – Niterói, com a finalidade principal de verificar se uma 
eventual tendência regional também se apresenta nas demais regiões do Estado.
As fontes dos dados coletados são sempre oficiais para evitar problemas de 
credibilidade.   Dentre   essas   fontes,   destacam-se:   RAIS/CAGED   do   Ministério   do 
Trabalho   e   Emprego,   DataSUS   do   Ministério   da   Saúde,   INEP   do   Ministério   da 
Educação, e CIDE do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Eventualmente, poderão 
ser utilizadas informações provenientes das prefeituras locais, ou de suas secretarias, 
desde que devidamente emitidas em documentos oficiais.
3
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Nossas Publicações:
O Observatório tem as seguintes publicações à disposição da comunidade no site do NEED/CEFET 
(www.cefetcampos.br):
Boletim Técnico No. 1: 
A Evolução do Emprego Formal na Região Norte Fluminense: Um enfoque 
sobre Campos e Macaé.
Nota Técnica No. 1: 
A Razão entre o Emprego Formal e a População Total das Cidades de 
Porte Médio – uma referência para Campos e Macaé em relação ao Rio 
de Janeiro e ao Brasil.
Boletim Técnico No. 2: 
A   avaliação   da   Qualidade   do   Emprego   Formal   na   Região   Norte   e 
Fluminense: Um enfoque sobre Campos e Macaé.
Boletim Técnico No. 3: 
Investigação sobre o Perfil do Trabalho Informal em Campos: Um enfoque 
sobre os Trabalhadores de Rua (camelôs).
Nota Técnica No. 2: 
Um   Estudo   Comparativo   entre   a   Qualidade   do   Emprego   Formal   e   o 
Trabalho Informal na Cidade de Campos – Um enfoque sobre o Grau de 
Escolaridade e a Renda Mensal.
Boletim Técnico No. 4: 
O   Perfil   da   Educação   na   Região   Norte   Fluminense:   Ensino   Infantil, 
Fundamental e Médio.
Boletim Técnico No. 5: 
Favelas/Comunidades   de   Baixa   Renda   no   Município   de   Campos   dos 
Goytacazes.
Boletim Técnico No. 6
Uma análise da Cadeia Produtiva de Cana-de-Açúcar na Região Norte 
Fluminense
Boletim Técnico No. 7
A   Evolução   do   Emprego   Formal   na   Região   Norte   Fluminense:   Uma 
análise do período 1997-2001.
Boletim Técnico No. 8
Indicadores   de   Qualidade   de   Vida   nas   Cidades   das   Regiões   Norte   e 
Noroeste Fluminense.
Boletim Técnico No. 9
A Evolução do Emprego Formal na Região Norte Fluminense: Uma 
análise do período 1997-2002.
Boletim Técnico No. 10
A evolução do IDH Municipal nas Cidades da Região Norte 
Fluminense no período 1991-2000.
Boletim Técnico No. 11
Radiografando o Orçamento de Campos dos Goytacazes: Análise do 
período 2000 a 2004
Boletim Técnico No. 12
A Evolução do Emprego Formal na Região Norte Fluminense: Uma 
análise do período jan/1997 - abr/2004
Boletim Técnico No. 13
A Evolução do Emprego Formal na Região Norte Fluminense: Uma 
análise do período jan/1997 - dez/2004
Boletim Técnico No. 14
Perfil da Cadeia Produtiva de Confecção do Município de Campos 
dos Goytacazes/RJ
Boletim Técnico No. 15
Desenho e análise da Cadeia Produtiva da Construção Civil no 
município de Campos dos Goytacazes-RJ
Boletim Técnico No. 16
Transporte Aéreo em Campos dos Goytacazes-RJ: Um Estudo de 
Caso no Aeroporto Bartolomeu Lizandro
Endereço:
CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos
NEED – Núcleo de Estudos em Estratégia e Desenvolvimento
Observatório Socioeconômico da Região Norte Fluminense
Rua Dr. Siqueira, Nº 273
Parque Dom Bosco – Campos dos Goytacazes – RJ
CEP: 28.030-130
Telefone: (22) 2733-3255 Ramal 4229 / Site
www.cefetcampos.br
 clique em Observatório
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INSTITUTOS SUPERIORES DE ENSINO
DO CENTRO DE EDUCAÇÃO NOSSA SENHORA AUXILIADORA
ISECENSA  
        CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
DIRETORA
IRMÃ SURAYA BENJAMIN CHALOUB
VICE-DIRETORA
ELIZABETH LANDIM
COORDENADOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
ANDRÉ UEBE
                                                      
                                                  Ficha Catalográfica
 D489  Desvendando Rio Preto:pesquisa descritiva e explora-
                   tória.Gerson Tavares do Carmo,André Uebe,orga-
             nizadores.Campos dos Goytacazes (RJ): ISE/CENSA,
             2005.
                   81 p.
                   1. Rio Preto (RJ).   2. Desenvolvimento Endógeno.
            3. Ecoturismo.  4. Desenvolvimento Sustentável.  
            5.Turismo Ecológico
                                        
                                                                        CDD981.53
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SUMÁRIO
.
Índice das figuras.............................................................................................
   5
Índice dos gráficos...........................................................................................
   7
Índice das tabelas.............................................................................................
   8
1 - APRESENTAÇÃO......................................................................................
   9
2 - INTRODUÇÃO............................................................................................  11
    2.1 - Perspectivas Conceituais.......................................................................
 19
           2.1.1 - Urbano versus Rural....................................................................  19
           2.1.2 - Desenvolvimento Endógeno em Espaços Rurais........................
 20
     2.2 - A Vocação Turística de Rio Preto........................................................  24
3  - METODOLOGIA........................................................................................  32
    3.1 - A Pesquisa Descritiva...........................................................................
 33
    3.2 - A Pesquisa Exploratória........................................................................
 36
4 - CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO.................................................
 37
    4.1 - Perfil Populacional................................................................................
 37
           4.1.1 - Estrutura da população pesquisada por gênero...........................
 38
           4.1.2 - Estrutura da população pesquisada por idade.............................
 40
           4.1.3 - Estrutura da população pesquisada por escolaridade.................
 41
   4.2 – Perfil Domiciliar...................................................................................
 46
           4.2.1 - Condições de propriedade..........................................................
 46
           
4.2
.2 
- Abastecimento de água...............................................................
 47
           4.2.3  - Escoadouro Sanitário..................................................................  47
           4.2.4 - Destino do Lixo..........................................................................
 48
           4.2.5 
- Iluminação elétrica.....................................................................
 49
   4.3 - PERFIL ECONÔMICO FAMILIAR...................................................
 50
           4.3.1 - Renda mensal familiar.................................................................  50
           4.3.2 - Ocupação principal.....................................................................
 52
           4.3.3 - Comercialização domiciliar........................................................
 53
           4.3.4 – Propriedade de Bens..................................................................
 54
           4.3.5 – Classificação Econômica das Famílias de Rio Preto................
 55
                      4.3.5.1 – Critério de Classificação Econômica Brasil................
 55
                      4.3.5.2 – Análise do Critério Brasil em Rio Preto......................
 58
 4.4- PERCEPÇÃO DOS ENTREVISTADOS QUANTO A LOCALIDADE
        DE  RIO PRETO......................................................................................
 
 60
5- 
 CARACTERÍSTICAS DE INFRA-ESTRUTURA....................................
 62
7
    5.1-
  Serviços de Saúde.................................................................................
 63
    5.2 – Serviços de 
Transporte........................................................................
 65
    5.3-
 Serviços de Educação Pública...............................................................
 67
    5.4-
 Serviços de Limpeza Urbana e Saneamento.........................................
 69
    5.5- 
 Serviços de Iluminação Elétrica...........................................................
 69
    5.6- 
 Serviços de Fornecimento de Água.....................................................
 70
    5.7- 
 Serviços de Comunicação....................................................................
 71
    5.8- 
 Serviços de Atendimento Jurídico........................................................
 72
    5.9- 
 Serviços Sociais e de Lazer..................................................................
 73
    5.10- 
 Serviços de Atendimento Agropecuário.............................................
 74
    5.11- 
 Serviços de Comércio e Negócios Produtivos...................................
 75
6- CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................
 77
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................
 80
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8
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ÍNDICE DAS FIGURAS
Figura  1 (mapa)
 
Localização do distrito de Morangaba no mapa municipal   12
Figura 2 (mapa). Vias rodoviárias de acesso à região de Rio Preto................
 12
Figura 3 (mapa).
 
Área verde concentrada no distrito de Morangaba …….....
 13
Figura 4 (mapa).
 
Destaque da área verde da APA do Desengano e dos 
limites geográficos inferiores do distrito: Rio Imbé e Lagoa de Cima..............
 13
Figura 5 (mapa).
 
Localização do Rio Preto
 
……………….......…….……..
 14
Figura 6 (mapa).
 Localização do aglomerado populacional de Rio Preto
IBGE.................................................................................................................
 15
Figura 7. Imagem da Usina Novo Horizonte em 1983....…….……………...
 16
Figura 8.
 
Casas em uma das várias ruas de Rio Preto -  ao fundo, as ruínas e 
chaminé da antiga Usina Novo Horizonte
 
……………………………….…..
 16
Figura 9. Imagem de parte do conjunto de casas populares ...…….…….…..
 17
Figura 10. Imagem de uma das ruas do conjunto de casas populares.……....
 17
Figura 11.
 
Croqui das ruas de Rio Preto
 …………………………….......…..
 18
Figura 12.
 E
quipe de graduandos e professores do ISECENSA, quando 
realizaram e aplicaram questionários em Rio Preto……….…..................…..
 34
Figura 13.
 
Graduanda Raquel Azevedo
 
entrevistando moradora do bairro 
“casa nova” ………………..............................................................................
 34
Figura 14.
 
Graduanda Vanessa Viana Pessanha
 
entrevistando moradores do 
bairro “casa nova” …………………...............................................................
 35
Figura 15.
 
Adesivo de controle da pesquisa.……………...………….....…..
 35
Figura 16 (mapa). Distritos com chefe de domicílio com rendimento médio 
mensal até 1 salário mínimo ..........………………………………............…..
 50
Figura 17.
 
Fachada do Posto de Saúde de Morangaba na entrada de Rio 
Preto..................................................................................................................
 64
Figura 18.
 
Ônibus da empresa Rogil que faz a linha Campos – Rio Preto
 .
 65
Figura 19.
 
Fachada da Escola Estadual Notival Moll...………………….…..
 67
Figura 20. Fachada da Escola Estadual Morangaba...........................……….
 67
Figura 21.
 
Fachada da Escola Municipal Roosevelt Crisóstomo de Oliveira ..  68
Figura 22. Fachada da Creche Escola Rio Preto......………………………....
 68
Figura 23.
 
Caixa d’água da empresa Águas do Paraíba
 ..
…………………....
 70
Figura 24.
 
Instalações de tratamento e distribuição de água em Rio Preto..... 
 70
Figura 25.
 
Local onde funciona a rádio comunitária ……………….......…....
 71
Figura 26. Local onde está instalada a agência dos Correios  ………….……
 71
Figura 27.
 
Cartório de Registro Civil do 9º distrito  …………………….......
 72
Figura 28
 
Prédio do serviço de Assistência Jurídica Municipal – Núcleo 
Morangaba…………………………………………………………....……....
 72
9
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Figura 29
 
Sede do Grupo de Terceira Idade Eni Fortunato ………………..
 73
Figura 30
 
Sede do Novo Horizonte Futebol Clube..………...…….………..
 73
Figura 31.  Grupo de Cavalgada......................................................................
 73
Figura 32.  Entrada para a sede EMATER em Rio Preto.…………….…….
 74
Figura 33.  Casa de material de construção Agropecuária Novo Horizonte....
 75
Figura 34.  Instalações Pousada Bicho Souto………………………..……....
 75
Figura 35.  Instalações da Pousada Olho D’Água …………………..……....
 75
Figura 36.  Instalações da Pousada Recanto das Cachoeiras ………………..
 75
Figura 37.  Entrada da engarrafadora de Água Mineral Sagrada……….…....
 76
Figura 38.  Instalações do Supermercado Codeço …………………..……....
 76
Figura 39.  Refrigerador de leite que serve a diversos produtores…..............
 76
Figura 40.  Mostruário da Fábrica de Goiabadas Tia Sônia …...........……....
 76
10
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             ÍNDICE DOS GRÁFICOS
Gráfico 1.
 
Porcentagem dos turistas visitantes, segundo gênero, mai 05 – ago 05......
 25
Gráfico 2. Porcentagem dos visitantes, segundo freqüência de visita a região...........
 26
Gráfico 3. Porcentagem de visitantes, segundo faixa etária........……………............
 26
Gráfico 4.
 
Porcentagem de visitantes, segundo cidade de origem......….....…...........
 27
Gráfico 5. Porcentagem de visitantes, segundo motivo de visita.…...…..….............
 27
Gráfico 6. Porcentagem  de visitantes, segundo ocupação principal …....…............
 28
Gráfico 7. Porcentagem de visitantes, segundo permanência na pousada …............
 29
Gráfico 8.
 
Porcentagem de visitantes, quanto o que mais atrai em Rio Preto............
 29
Gráfico 9.
 
Porcentagem de visitantes, segundo sugestões para melhoria do turismo 
em Rio Preto ...............................................................................................................
 30
Gráfico 10.
 
Porcentagem da população pesquisada, segundo o gênero.....…............
 38
Gráfico 11.
 
Porcentagem da população pesquisada, segundo a faixa etária…..........
 40
Gráfico 12.
  
Taxa de Alfabetização de 15 anos ou mais por situação do domicílio 
.....................................................................................................................................
 41
Gráfico 13.  Porcentagem da população pesquisada, segundo a escolaridade...........
 43
Gráfico 14
 
Porcentagem de domicílios, segundo as condições de propriedade ..…..
 46
Gráfico 15..
 
Porcentagem de domicílios, segundo tipo de abastecimento de água......
 47
Gráfico 16.
 
Porcentagem de domicílios, segundo tipo de escoadouro sanitário....…..
 47
Gráfico 17. Porcentagem de domicílios, segundo tipo de destino dos lixos .....……..
 48
Gráfico 18.
 
Porcentagem dos domicílios com energia elétrica..........………………..
 49
Gráfico 19.
 
Porcentagem de domicílios, segundo renda familiar ………………..…..
 51
Gráfico 20.
 
Porcentagem das ocupações principais dos entrevistados ……...............
 52
Gráfico 21.
 
Porcentagem dos domicílios que comercializam algum produto ............
 53
Gráfico 22.
 
Número de bens domésticos nos domicílios entrevistados......................
 54
Gráfico 23.
 
Porcentagem de famílias de Rio Preto por classe econômica - segundo 
Critério Brasil................................................................................................................
 58
Gráfico 24.
 
Porcentagem de famílias, segundo classe econômica, que compara Rio 
Preto e média nacional - segundo Critério
 
Brasil.…………….................……….......
 59
Gráfico 25.
 
Porcentagem de entrevistados quanto ao “desejo de sair de Rio Preto”...
 60
Gráfico 26.
 
Distribuição percentual de moradores, segundo motivos de fixação de 
moradia em Rio Preto..................................................................................................
 61
Gráfico 27.
 
Porcentagem dos entrevistados, quanto a serem “nascidos e criados” em 
Rio Preto.......................................................................................................................
 61
Gráfico 28. Porcentagem dos transportes utilizados pelos entrevistados....................
 65
11
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ÍNDICE DAS TABELAS
Tabela 1.
 
População residente do município de Campos dos Goytacazes/RJ.
..  37
Tabela 2. População por sexo, entrevistados e moradores nos domicílios…...
 38
Tabela 3.
 
População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os 
distritos do município de Campos dos Goytacazes ..................................
…...
 39
Tabela 4.
 
População por idade, entrevistados e moradores nos domicílios.....
 40
Tabela 5. Taxa de Alfabetização de 15 anos ou mais,  por situação do 
domicilio ………………................................................……………………..
 41
Tabela 6.
 
Pessoas responsáveis pelos domicílios por grupos de anos de 
estudo
 
 …………………………………………………………….......……..
 42
Tabela 7. População por escolaridade, entrevistados e moradores nos
 domicílios .…………………………………………………………………..
 43
Tabela 8.
 
Domicílios particulares permanentes - segundo a condição de 
ocupação
 
…………………………………………………………....………..
 46
Tabela 9.
 
Domicílios particulares por forma de abastecimento de água, 
existência de banheiro ou sanitário, tipo de esgotamento sanitário e destino 
do lixo
 
……………………………………………………………..................
 48
Tabela 10.
 
Descrição da pontuação dos bens domésticos -  segundo Critério 
Brasil
 
……….............................................…………………………………..
 56
Tabela 11
 
Descrição da pontuação do grau de instrução do responsável pelo 
domicílio - segundo Critério Brasil.......……………………………………
…..
 56
Tabela 12
 
Classes de cortes por classes econômicas - segundo Critério 
Brasil...........…………………………………………………………………..
 57
Tabela 13
 
Faixas de renda por classes econômicas - segundo Critério 
Brasil
.
.…….........……………………………………………………………..
 57
Tabela 14. Classificação econômica das famílias de Rio Preto - segundo 
Critério Brasil...................................................................................................
58
Tabela 15. Avaliação dos entrevistados, quanto à qualidade da infra-
estrutura urbana de Rio Preto...........................................................................
62
12
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1 - APRESENTAÇÃO
O presente relatório é resultado da primeira fase do projeto  Desvendando Rio Preto: 
referências para estudos de desenvolvimento endógeno, desenvolvido, no 1ºsemestre letivo de 
2005, pelo 6º período do Curso de Administração  do ISECENSA – Institutos Superiores de 
Ensino   do   Centro   Educacional   Nossa   Senhora   Auxiliadora,   no   município   de   Campos   dos 
Goytacazes – RJ, sob a orientação de Carlos Eduardo Valente
1
, Gerson Tavares do Carmo
2
  
Rodrigo   Anido   Lira
3
  respectivamente,   professores   das   disciplinas   Tópicos   de   Gestão 
Contemporânea VI, Sociologia & Administração e Gestão de Pequenos Negócios ministradas na 
referida   turma,   com   assessoria   estatística   de   Carla   Nogueira   Patrão   Aquino
4
  professora   da 
referida disciplina no curso de Administração do ISECENSA.
O projeto justificou-se a partir de uma visão do ISECENSA/Curso de Administração 
sobre   o   importante   papel   que   o   administrador   pode   ter   como   promotor   e   gestor   do 
desenvolvimento   sustentável,   “enxergando”,   em   Rio   Preto,   um  locus  privilegiado   para 
construção   de   um   conhecimento   que   se   articula   em   três   dimensões:   a   teórico-econômico 
administrativa  aprendida pelos discentes na sala de aula; a sócio-cultural da realidade local; e a 
ambiental,  que,   em  crise,   ameaça  a   vida  no  planeta.   A  razão   que  sintetiza   a  justificativa   e 
motivação para iniciar o projeto é a demanda por uma Gestão e conhecimento em mão dupla: 
rearticulando sociedade e natureza.
O projeto, que teve por objetivo inicial realizar um censo demográfico e sócio-cultural 
em Rio Preto, apresentou-se, naturalmente, como projeto pedagógico transdisciplinar
5
 de cunho 
pragmático,  desenvolvido  durante  o primeiro semestre  letivo de 2005. No  entanto, além do 
caráter   pontual   de   projeto   pedagógico,   envolvendo   três   disciplinas   em   um   semestre   letivo, 
também pretendeu apresentar-se como pesquisa exploratória e descritiva referencial sobre o Rio 
Preto, servindo de base pública de dados para estudos de naturezas diversas e também de base 
comparativa, para pesquisas futuras no referido povoado.
 
A   perspectiva   transdisciplinar   do   projeto   pedagógico   estende-se   também   à   pesquisa 
descritiva e exploratória, tendo em vista que tal perspectiva propõe novos modelos e ações de 
desenvolvimentos sustentáveis capazes de avaliar criticamente as contradições subjacentes ao  
modelo de desenvolvimento baseado na tecnociência
6
. Esta escolha justifica  o protagonismo 
social   que   foi   atribuído   a   Rio   Preto,   através   das   discussões   “Urbano  versus  rural”   e 
1
 Graduado em  Economia pela UFF  e Mestre em Ciências Contábeis pela UERJ.
2
 Graduado em Administração Pública pela EBAP/FGV-RJ e Mestre em Cognição e Linguagem pela UENF.
3
 Graduado em Administração pela  UFF e Mestre em Cognição e Linguagem pela UENF.
4
 Graduada em Administração e Mestre em Economia Empresarial pela UCAM.
5
 A transdisciplinaridade diz respeito, como indica o prefixo "trans", ao que está, ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através 
das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina. Sua finalidade é a compreensão do mundo presente, sendo que um dos 
seus imperativos é a unidade do conhecimento, conforme Nicolescu, Basarab.  La transdisciplinarité,  manifesto, Éditions du 
Rocher, Mônaco, Coleção "Transdisciplinarité", 1996. O Manifesto da Transdisciplinaridade, Trion, São Paulo, 1999, tradução 
para o português de Lúcia Pereira de Souza.
6
 In: Mensagem de Vila Velha/Vitória - II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, 06 a 12 de setembro de 2005 – Brasil
13
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“Desenvolvimento   endógeno,   em   espaços   rurais”,   contidas   na   introdução,   visando   a   um 
posicionamento teórico e metodológico transdisciplinar tanto na orientação da pesquisa  quanto 
na redação do relatório.
Assim, o presente relatório contém tanto informações resultantes da pesquisa em si, como 
também dados sobre o processo de trabalho realizado pelos professores e alunos cujos fins são 
pedagógicos.
 
O relatório foi organizado pelos professores Gerson Tavares do Carmo e André 
Fernando Uebe Mansur, tendo como colaboradores a professora Carla Nogueira Patrão Aquino e 
os graduandos Carlos Augusto Rodrigues Machado e Luiz Saulo Machado Pessanha Júnior, 
ambos do 7º período do curso de Administração – 2ºsemestre/2005
.
Necessário dizer que esta é a primeira vez que o povoado de Rio Preto tem reunido e 
organizado em um só documento, informações de diversas fontes e natureza. No entanto, o 
documento não esgota a riqueza, beleza e mistérios do lugar.   Ainda há muitas informações 
dispersas tanto em forma documental, quanto em forma de testemunhos vivos que viveram a 
história do lugar, o que justifica a projeção de ações posteriores a este diagnóstico conforme 
indicado ao final deste trabalho.
14
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2 – INTRODUÇÃO
A região do Rio Preto
7
 localiza-se em Morangaba
8
, 9º distrito de Campos dos Goytacazes, 
a sudoeste do município,  na divisa com São Fidélis, compreendendo  uma das regiões mais 
montanhosas e belas do Norte-Fluminense. 
Segundo Bragança Júnior
9
, Morangaba  vem do tupi: moran(ga) e gaba =  a beleza, a  
formosura, o encanto.  Nessa região, encontram-se atrações naturais como: o Rio Bela Joana, 
afluente do Rio Preto, que possui águas cristalinas e quedas d’água que formam grandes blocos 
rochosos com piscinas naturais; o Pico Peito de Moça, com 700 metros de altitude, com formato 
semelhante ao Pão-de-Açúcar (Rio de Janeiro); a Cachoeira Pedra Rasa, uma das mais belas e 
uma das maiores cachoeiras da região, com uma queda de 80 m de altura; o Tombo d’Água que 
caracteriza-se pelas imensas formações rochosas, por onde jorram as águas, formando 3 saltos. 
No local há uma piscina natural com aproximadamente 50m de comprimento, de fundo arenoso. 
Ao redor, a vegetação segue intocada onde se destacam bromélias, samambaias, orquídeas de 
diversas espécies  e árvores  de grande porte,  como cedro,  ipê,  jequitibá, jatobá,  pau-pereira, 
canela e coqueiro indaiá. O Pico de São Mateus, com com 1.605 metros de altitude, localizado 
na Serra do Mocotó  é o ponto mais elevado do município de Campos dos Goytacazes de onde se 
tem ampla vista de todo o distrito e a paisagem natural da Mata Atlântica
10
  
Um dos acessos a esta região se faz pela RJ-158 (Rodovia Campos - São Fidélis). Saindo 
de Campos segue-se aproximadamente, 19km pela rodovia, entra-se à esquerda, em uma estrada 
vicinal, na localidade chamada Itereré (onde se localiza um pedreira), que percorrida por mais 
16km, chega-se ao povoado de Rio Preto centro do distrito de Morangaba.
7
 O Rio Preto é o mais extenso rio do distrito de Morangaba, dando nome à região por onde nascem as suas águas.
8
 Morangaba possui vários outros povoados menores como: Água Fria, Alegre, Aleluia, Babilônia, Bandeirante, Barra do Jacaré, 
Barrinha,   Batatal,   Bela   Joana,   Conceição,   Deserto,   Espera   Feliz,   Fazenda   Opinião,   Goiabal,     Lagoa   de   Cima,   Lagoinha, 
Marcelino, Matutu,  Mocotó, Muzama, Muzungum, Pedra, Pedra Lisa, Penha, Pedrinhas, Ponte Nova, Sabiá, São Benedito, São 
João,  Serraria,  Sertão 
9
  BRAGANÇA JÚNIOR, Álvaro Alfredo..  Morfologia Sufixal Indígena na Formação de Topônimos do Estado do Rio de 
Janeiro. UFRJ/CiFEFiL. http://www.filologia.org.br/pub_outras/sliit01/sliit01_29-48.html  acessado em 20/6/2005.
10
 Informações sobre atrações naturais extraídas do Estudo Socioeconômico 2003 – Campos dos Goytacazes/TCE –RJ - Tribunal  
de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Secretaria Geral de Planejamento, Governo do Estado do Rio de Janeiro, outubro 2003 - 
p.  13 e 14.
15
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             Nos mapas a seguir, pode-se localizar o distrito de Morangaba no município de Campos 
e a estrada de acesso à Rio Preto: 
            Figura 1 (mapa) – Localização do distrito de Morangaba no mapa municipal.
              Fonte: Perfil Populacional de Campos dos Goytacazes, 2003, pág. 62
     (foi utilizado somente a imagem de Campos dos Goytacazes e dos seus distritos).
Figura 2 (mapa) – Vias rodoviárias de acesso à região de Rio Preto.
Fonte: 
site www.aondefica.com/maparioc.asp - acessado em 15/09/2005.
16
Distrito de 
Morangaba
 
Pedreira de Itereré -
 entrada para Rio Preto
Rio Preto – centro
de Morangaba
Estrada Campos
São  Fidélis
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Conforme se pode observar no mapa abaixo, a maior concentração da Mata Atlântica no 
município de Campos dos Goytacazes (destacado em verde escuro) encontra-se no distrito de 
Morangaba, como área de preservação ambiental pertencente à Área de Preservação Ambiental 
do Parque do Desengano.
      
  Figura 3 (mapa) – Área verde concentrada no distrito de Morangaba.
              
Fonte:  CIDE   -   Fundação 
Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro,
                       site http://www.cide2.rj.gov.br/mapas_municipio.php - acessado em 19/08/2005.
No mapa a seguir, pode-se observar o Rio do Imbé e a Lagoa de Cima, como limites 
inferiores do distrito de Morangaba, bem como, a extensão da Área de Proteção Ambiental 
(APA) do Desengano que ocupa mais de 50% do território do distrito.
             
Figura 4 (mapa) – Destaque da área verde da APA do Desengano e dos limites 
geográficos inferiores do distrito: Rio Imbé e Lagoa de Cima
         Fonte: CIDE - Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro,
       site http://www.cide2.rj.gov.br/mapas_municipio.php - acessado em 19/08/2005.
17
Rio Imbé
Lagoa de Cima
APA do Desengano
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No mapa a seguir pode-se observar o Rio Preto, em toda a sua extensão, nascendo das 
áreas montanhosas para desaguar no Rio Ururaí. 
Figura 5 (mapa) – Localização do Rio Preto.
 
   Fonte: site www.aondefica.com/maparioc.asp - acessado em 15/09/2005.
Além da exuberante beleza natural, a região possui peculiaridades, conforme Sofiatti 
(1996), quando diz que Rio Preto é um rio “diferente”:
Como   já   foi   visto,   a   Serra   do   Mar,   no   norte-noroeste   fluminense,   sofre   uma   brusca 
interrupção nas imediações da garganta por onde coleia o Paraíba. Os rios que nascem na 
vertente interior da Serra deságuam todos eles no maior rio da região [Rio Paraíba]. Os 
que nascem na vertente Atlântica correm para a bacia da Lagoa Feia ou diretamente para 
o mar, com exceção de um: o rio Preto [grifo nosso]. Seu curso o conduz ao rio Paraíba, 
no qual, outrora, desaguava como explica Lamego
11
. Com as cheias deste, porém, seu 
curso era obstruído e desviava-se para o rio Ururaí, do qual atualmente é tributário(...) 
Exceções   como   esta,   mostram   que   a   região,   além   de   seu   potencial   ecoturístico,   é 
interessante foco para estudos, dadas as suas peculiaridades naturais em relação ao restante do 
distrito de Morangaba.
11
 LAMEGO, Alberto Ribeiro. “Geologia das quadrículas de Campos, São Tomé, Lagoa Feia e Xexé”. Boletim nª 154. Rio de 
Janeiro: Departamento Nacional da Produção Mineral/Divisão de Geologia e Mineralogia, 1955, pág. 35.
18
Percurso do
Rio Preto
Rio Ururaí
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Morangaba, segundo o IBGE, situa-se na Latitude 21º43’33 S e Longitude 41º36’10 W, a 
uma altitude de 35m na área de planície. O distrito, ainda segundo o Censo IBGE 2000, possui 
uma população de 3.322 habitantes e uma área territorial de 550,9
km
2
   
(CIDE
12
),
 configurando 
uma densidade demográfica de 6 hab
/km
2
O maior núcleo de moradores de Morangaba é Rio 
Preto, com aproximadamente 1350 habitantes residindo em aproximadamente 350 moradias. No 
mapa do IBGE abaixo, podem ser observados diversos pontos relativos às concentrações de 
moradias, configurando o povoado de Rio Preto. 
Figura 6 (mapa) – Localização do aglomerado populacional de Rio Preto, maior área     
povoada do distrito de Morangaba
.
Fonte: IBGE – Carta Topográfica 1:50.000, 2000. 
A concentração populacional, em Rio Preto, ocorreu a partir da falência da Usina Novo 
Horizonte, em 23 de março de 1987, quando o governo federal desapropriou 4.335 ha da área 
agrícola, pelo Decreto nº 94.128/87, para aplicação do Programa de Reforma Agrária (Neves, 
2004).   Até   então,   o  número   de   pequenos   proprietários,   na   região,   era   muito   reduzido. 
Praticamente inexistiam povoados e eram raras as possibilidades de os trabalhadores comprarem 
um pedaço de terra para fazerem uma casa própria. Por isso, a maioria deles tinha que morar 
dentro das fazendas aí situadas.  
Abaixo, podemos observar uma imagem da Usina em funcionamento no ano de 1983 e o 
pequeno aglomerado de casas próximas da usina.
12
 Fonte: CIDE - Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro. 
19
Povoado de Rio Preto
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Figura 7 - Imagem da Usina Novo Horizonte em funcionamento e arredores o ano de 1983.
Fonte: Revista Manchete, edição especial do Carnaval de 1983
13
.
Já na imagem seguinte, é possível observar, ao fundo, as ruínas da Usina Novo Horizonte 
e, em destaque, uma das várias ruas que foram criadas para ligar as pequenas propriedades do 
assentamento rural.
Figura 8 - Casas em uma das várias ruas de Rio Preto, ao fundo as ruínas e chaminé da 
antiga Usina Novo Horizonte, maio de 2005.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA.
Atualmente, conforme registros pesquisados na Campos Luz / Prefeitura de Campos dos 
Goytacazes,   as   moradias   de   Rio   Preto   estão   concentradas   em   25   ruas,   a   saber:   Estrada 
13
 Editoração gráfica a partir da referida fonte, cedida gentilmente por Jorge Gama, presidente da APRONIB - Associação de 
Produtores do Assentamento Rural Novo Horizonte e Baiano.Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
20
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Morangaba, Rua do Cemitério, Rua Margem da Linha, Rua Alto Santo Antonio, Rua Mané 
Manso, Estrada Principal, Rua da Balança, Rua do Norte, Escadaria da Queda D’água, Rua 
Projetada A, Rua Projetada B, Rua da Assembléia, Rua Sabiá, Rua Beija-Flor, Rua João de 
Barro, Rua Rouxinol, Rua Andorinha, Rua Papa-Capim, Rua Canário, Rua Quero-Quero, Rua 
Gaivota Rua Tucano, Rua Marreco, Praça das Casas Populares, Rua da Subida (estas últimas 
ruas com nome de pássaros foram construídas para atender as famílias que ficaram desabrigadas 
após enxurrada ocorrida em dezembro de 2001).
Abaixo, podemos observar o conjunto de casas populares em dois ângulos.
Figura 9  – Imagem de parte do conjunto de casas populares construídas para famílias 
que ficaram desabrigadas depois de enxurrada ocorrida em dezembro de 2001.
               Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA.
Figura  10  – Imagem  de uma  das ruas onde foram construídas  casas populares  para 
famílias   que   ficaram   desabrigadas   após   enxurrada   ocorrida   em   dezembro   de   2001.  
                            Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
Um   croqui   das   ruas   do   povoado   mostra   a   localização   dos   principais   negócios   e 
instituições de Rio Preto:
 
21
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Figura 11 – Croqui das ruas de Rio Preto.
    Fonte: Composição gráfica de Suyanne Gama S. Campos (graduanda 2º período Administração/2ºsem-2005)
14
.
14
  A   composição   gráfica   não   apresenta   escala   ou   medida   de   qualquer   natureza.   Foi   desenhada   com   o   objetivo   único   de 
proporcionar uma provisória visibilidade dos logradouros de Rio Preto, que não ainda não se encontram mapeados na Prefeitura 
de Campos dos Goytacazes, conforme pesquisa realizada.
22
Saída para
Campos
   
Cartório e 
Posto de Saúde
     
Pousada
  Bicho Souto
Rio
Preto
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2.1- PERSPECTIVAS CONCEITUAIS
Povoado, segundo o dicionário Aurélio corresponde, à “pequena aglomeração urbana; 
lugarejo, vila, aldeia”. Nos estudos de Geografia, campo da 
demografia, dinâmica populacional e 
construção do espaço geográfico, o conceito de  povoado  é associado à densidade demográfica 
sendo considerado um conceito fundamental.  
Com uma densidade demográfica de 6 hab/km
2
, segundo Veiga (2004, p. 9), Morangaba 
é um distrito predominantemente rural, apesar do IBGE (2000) considerar que ali somente 55% 
da população residente seja rural, o que configura uma controvérsia.  Por isso, implica  uma 
necessária revisão conceitual, desenvolvida a seguir, no que tange ao tema “urbano versus rural” 
e ao “desenvolvimento endógeno em espaços rurais”.
2.1.1 – Urbano versus Rural
No   centro   desse   debate,   está   uma   questão   muita   bem   explicitada   por   Veiga   (2002), 
quando discute o que o IBGE considera como rural. Os fundamentos do IBGE, para classificar 
uma população como rural ou urbana, “provêm de uma lei de 1930
15
 que considera urbana toda 
sede   de   município   (cidade),   sejam   quais   forem   suas  características”.   Esta   é   uma   discussão 
pertinente porque mostra que o processo de urbanização do Brasil tem premissas equivocadas, 
conforme Veiga (2002, p.32): “Essa é uma regra muito peculiar, que é única no mundo”. No Rio 
Grande do Sul, há um caso extremo desse equívoco: a sede do município União da Serra é uma 
“cidade” na qual o Censo Demográfico de 2000 registrou 18 habitantes, classificados como 
população da área urbana.
Uma outra questão abordada por Veiga (2004, p. 6) sobre o “urbano versus rural” trata de 
um   desafio   assumido   por   pesquisadores   do   Serviço   de   Desenvolvimento   Territorial   da 
Organização   para   Cooperação   e   Desenvolvimento   Econômico   -   OCDE  que   “configuraram 
indicadores territoriais de emprego com foco no desenvolvimento rural”. Após análise minuciosa 
das “estatísticas de 50 mil comunidades locais de 2 mil regiões dos 26 países membros  da 
OCDE, foi possível distinguir níveis hierárquicos para a análise territorial” (Id., ib.). Em nível 
local, a OCDE passou a considerar rurais, apenas as comunidades com densidade populacional 
inferior a 150 habitantes por quilômetro quadrado e a classificá-las como  predominantemente 
rural  e, as
 
outras com maior densidade, em  significativamente  rural  ou  predominantemente 
urbana.
15
 
Esta referência   “uma lei de 1930”  provavelmente diz  respeito à Lei Sistematizadora nº 2335 de 27 de dezembro de 1929 pela 
qual   todas   as   sedes   dos   municípios   seriam   consideradas   como   cidade.   Esta   lei   veio   eliminar   a   distinção   vila   /   cidade, 
anteriormente existente para dar mérito às vilas que se destacavam no cenário econômico, político social, sendo “elevadas à 
condição de cidade”, conforme mencionado no trabalho CANTAGALO (RJ). Correção da idade de Cantagalo. Gerson Tavares 
do Carmo (Org.). Cantagalo,RJ: Secretaria Municipal e Cultura, (mimeo), 2004, p. 21.
23
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Acrescente-se a essa breve discussão o fato que, nos últimos vinte anos, tornou-se cada 
vez mais forte a atração pelos espaços rurais nas sociedades mais desenvolvidas. No entanto, 
esse é um fenômeno novo, que pouco ou nada tem a ver com as relações que essas sociedades 
mantiveram no passado com tais territórios. Como dizem Hervieu & Viard (apud, Veiga 2004, 
p.58), a cidade e o campo se casaram, e enquanto ela cuida de trabalho e lazer urbanizado, ele 
oferece liberdade e beleza natural. Ainda conforme Veiga (2004, p. 58), a ‘revolução do espaço’ 
que   engendra   a   ‘sociedade   urbana’   (ou   pós-industrial)   tende   a  revigorar  a   ruralidade,   mas 
mediante mutação, e não ‘renascimento’. 
Dessa forma, para o presente relatório, estamos considerando o  povoado de  Rio Preto, 
bem como todo o distrito de Morangaba, como território e população  essencialmente rurais, 
importando entender que o seu futuro dependerá, cada vez mais, de articulações capazes de 
diagnosticar   as   vocações   do   território   que   compartilham,   de   articulações   voltadas 
especificamente para o desenvolvimento sustentável de um Rio Preto rural, conforme adaptação 
de palavras de Veiga (2002, p.36)
2.1.2 – Desenvolvimento Endógeno em Espaços Rurais
Um aspecto a ser ressaltado neste tópico, diz respeito à evolução política, econômica e 
social no Brasil e no mundo. Esta seção, à luz de uma breve revisão de literatura, fundamenta-se 
em duas tendências:
a- Reavaliação integral das relações de crescimento econômico versus
     desenvolvimento social
Conforme Kliksberg (apud Simões 2004), numa visão convencional, pensava-se que ao 
alcançarem-se taxas significativas de crescimento econômico, o mesmo se ‘derramaria’ sobre as 
classes sociais mais desfavorecidas e as tiraria da pobreza. Assim, “crescimento seria, ao mesmo 
tempo, desenvolvimento social”. No entanto, é consenso que o capitalismo sempre se apoiou no 
desenvolvimento   econômico   e   deixou,   em   segundo   plano,   uma   variedade   de   fatores   de 
determinante importância social. Há tempos, percebe-se que o desenvolvimento social não é uma 
conseqüência   natural   do   desenvolvimento   econômico,   como   podemos   exemplificar   em   uma 
recente reportagem do telejornal, Bom Dia Brasil, da rede Globo
16
:
(...) De acordo com o IBGE, foi o crescimento industrial que levou municípios do 
interior para a lista dos que produzem mais riquezas no país. 
16
 Esta reportagem foi levada ao ar sob o título “A riqueza que vem do interior”, no dia 04/05/2005.
24
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(...) Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, pulou do 15º lugar, em 1999, para o 
sexto, em 2002. (...).
(...)   Mas   tanta   riqueza   nem   sempre   significa   melhorias   na   qualidade   de   vida   da 
população.   Em   Duque  de   Caxias,  não   há   rede   de  esgoto   em   43,62%  das   casas, 
segundo o último censo. E 30,65% dos domicílios não recebem água tratada. (grifo 
nosso)
 
A literatura acadêmica e os relatórios de agências internacionais que tratam do tema do 
capital   social   partem   de   modo   quase   generalizado,   da   constatação   de   que   as   variáveis 
econômicas   não   são   suficientes   para   produzir   desenvolvimento   social   e   ambientalmente 
sustentável. Afirmam que o crescimento econômico não produz, necessária e diretamente,  o 
desenvolvimento social, relembram que as instituições e o sistema social são elementos-chave na 
resolução do problema do acesso aos benefícios econômicos produzidos e de sua  repartição. 
(Milani, 2004, p.1)
Assim, relacionaremos topicamente aspectos teóricos / metodológicos que precisam ser 
explicitados   desde   já,   para   serem   levados   em   conta   no   processo   decisório   que   orienta   este 
projeto, em sua dimensão referencial / prospectiva, que supõe continuidade de ações articuladas 
entre ISECENSA, a comunidade de Rio Preto, a comunidade Campista e outras instituições 
nacionais ou internacionais (em cada tópico sublinhamos termos ou expressões chaves):
-   considerado   como  projeto,  como  caminho   histórico,  pluridimensional,   o 
desenvolvimento local é sabidamente marcado pela cultura do contexto em que se situa;
- o desenvolvimento local pode ser considerado como o conjunto de atividades culturais, 
econômicas,   políticas   e   sociais   que   participam   de   um   projeto   de  transformação 
consciente
 da realidade local; 
- neste projeto de transformação social, há significativo grau de interdependência entre 
os diversos segmentos que compõem a sociedade
 (âmbitos político, legal, educacional, 
econômico,   ambiental,   tecnológico   e   cultural)   e   os   agentes   presentes   em   diferentes 
escalas econômicas e políticas (do local ao global). 
- é fundamental pensar o desenvolvimento local, enquanto projeto integrado no mercado, 
mas não somente: o desenvolvimento local  é também fruto de relações de conflito, 
competição, cooperação e reciprocidade 
entre atores, interesses e projetos de natureza 
social, política e cultural.
 (Adaptado de Milani, 2004, p.1)
Estas   “recomendações”   teóricas   e   metodológicas   têm   uma   dimensão   concreta   na 
condução do projeto, ou seja, aquela que aponta para o cuidado com o histórico de um projeto de 
marketing em Rio Preto voltado para o turismo, a fim de que este não se feche em concepções e 
ações, somente para a área turística, tendo em vista 
impactos negativos que podem surgir com o 
seu crescimento
.
25
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b- A atração cada vez mais forte por espaços rurais em todas as sociedades
                mais desenvolvidas 
  De acordo com Veiga (2004, p.12), quando se analisa as significativas mudanças, nas 
atividades econômicas, em todo o mundo em andamento, nas últimas décadas, encontra-se de 
forma recorrente: 
desconcentração territorial, com terceirização de atividades industriais e de se 
serviços   em   espaços   essencialmente   rurais,   com   novas   características 
organizacionais e tecnológicas fora dos limites urbanos, à procura muitas vezes 
de  ecossistemas  menos  artificializados   pela  ação  do homem,   conforme Lopes 
(apud Veiga, 2002, p. 25 e 28).
Uma   constatação   desta   tendência   pode   ser   verificada,   como   já   citamos,   no   trabalho 
realizado pela OCDE – Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico, em 50 
mil comunidades locais dos 26 países membros que passaram a ser enquadradas em três novas 
categorias:  essencialmente   rurais,   relativamente   rurais   e   essencialmente   urbanas.   É   uma 
tipologia que gerou uma nova imagem de povoamento territorial assumindo que “ruralidade não 
é mais sinônimo de atraso”.
 Ainda, conforme Lopes (ib., p.26), é visível como as indústrias de vestuário, de calçados, 
de serviços ligados à produção e atividades de lazer e turismo, no Brasil, são percebidas na 
crescente  pluriatividade dos agricultores familiares, “na expansão da agricultura familiar,  na 
diversificação  agrícola e econômica,  como esteio fundamental  de um desenvolvimento  rural 
sustentável”.
De   acordo   com   Veiga   (2004,   p.   12),   foi   simultâneo   o   crescente   interesse   dos 
pesquisadores pelas diversas dinâmicas das áreas rurais, ou sobre as políticas que ajudariam a 
impulsionar a “revitalização” das mais remotas ou deprimidas
17
. Os principais resultados dessa 
produção científica indicam uma concentração das vantagens competitivas das áreas rurais, em 
quatro aspectos, que foram subestimados por quase todas as teorias sobre o crescimento e sobre 
o desenvolvimento: civismo, cultura, meio ambiente, e conhecimento local.  
Acrescente-se que autores como, Robert Putnam (1996), James Coleman (1988),
 
tratam 
as   “redes   de   compromisso   moral,   as   normas   de   confiança   mútua   e   a   riqueza   do   tecido 
17
  Cf.   o  Journal   of   Rural   Studies  (publicado   na   Inglaterra   desde   1985),   assim   como   em   algumas   das   páginas   da   ‘web’ 
consagradas   ao   tema   do   desenvolvimento   rural.   Três   dos   mais   significativos   ‘sites’desse   tipo   são:   a)   o   da   rede   “DORA” 
(“Dynamics of Rural Areas”, do Arkleton Centre for Rural Development Research, da Universidade de Aberdeen, Escócia: 
www.abdn.ac.uk/arkleton) ; b) o do projeto “NRE” (New Rural Economy Project, da CRRF, Canadian Rural Revitalization 
Foundation: nre.concordia.ca/crrf_publications.htm) ; c) o do “CRRAS”, Center for Rural and Remote Area Studies, do Institute 
for Social Research, campus de Whyalla da Universidade da Austrália do Sul: www.unisa.edu.au/crras/.   - Citado por Veiga, 
2004, p. 12.
26
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associativo” como fatores fundamentais do desenvolvimento local (rural e urbano). De acordo 
com Milani (2004, p.1): 
Os fatores de ordem social, institucional e cultural são, assim, reconhecidos por terem 
impacto   direto   no   incremento   qualitativo   da   comunicação   entre   indivíduos   e   atores 
sociais, na produção de melhores formas de interação social e na redução dos dilemas da 
ação coletiva.
Esse é o campo onde se encontra  presente a questão do desenvolvimento  endógeno, 
muito debatido nas décadas de 1970 e 1980, que “defende o crescimento econômico como forma 
de manifestação particular de uma determinada sociedade”, ao contrário do desenvolvimento 
incentivado por fatores externos, próprio do capitalismo globalizado
.  
(Simões, 2004, p. 8). 
Conclui-se essa breve discussão, apoiando-se, mais uma vez, em Veiga (2002 p. 99): 
“foi-se o tempo em que a virtude da cidade era ‘arrancar’ a população do embrutecimento da 
vida no campo.
27
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2.2 - A VOCAÇÃO TURÍSTICA DE RIO PRETO
Em Rio Preto, o turismo ecológico vem crescendo nos últimos anos, através da iniciativa 
privada e do poder público municipal, como se pode atestar pela cronologia da instalação de três 
pousadas no povoado - a primeira surgiu em 1997 e duas outras em 2002. A região conta hoje, 
com atividades relacionadas a este tipo de turismo, como a prática de esportes radicais (rapel, 
alpinismo, montanhismo, tirolesa, rali, etc.), além de oportunizar aos naturalistas e adeptos ao 
turismo ecológico e rural, ambiente com conforto e segurança, através das referidas pousadas 
localizadas na região. Essa vocação turística traz elementos de auto-estima para a população 
local, bem como oportuniza ações de cuidado com o ambiente, a fim de manter o que mais atrai 
os turistas, configurando possibilidades de rearticulação sociedade-natureza, conforme é possível 
observar nas palavras de Leandro da Gama, que se auto denomina “Leandro de Rio Preto”:
(...) Adoro. Aqui pra mim é o paraíso. Porque aqui tem,... são praticamente três 
pousadas, tem cachoeira. Então pra gente,... as pessoas normalmente da cidade 
procuram   o   nosso   lugar   porque   é   um   lugar   de   sossego,   um   lugar   que   tem 
qualidade (...) Me sinto feliz, porque as pessoas vêm à gente. Normalmente, a 
gente procura um lugar movimentado,  [mas] a gente aqui não precisa sair do 
nosso lugar pra ver isso. É muito importante pra mim isso, e tem a coisa da 
natureza pra... um lugar turístico agora né...
Verifica-se,   através   deste   depoimento,   uma   sugestiva   idéia   de   que   o   povoado   é 
reconhecido   não   só   por   turistas,   que   se   impressionam   com   o   seu   potencial   ecológico,   mas 
também pela, comunidade residente. De acordo com Dona Benice, de 64 anos, que diz gostar de 
Rio Preto
(...) porque foi o lugar que eu nasci. Eu me criei aqui, com a minha mãe, o meu 
pai. E perdi eles. Agora mesmo que eu não tenho vontade de sair. Porque está 
aqui pertinho. Toda hora eu olho e  estou lembrando, né?!?
Vale ressaltar que esse orgulho do lugar expresso de modo espontâneo, sem negatividade 
não é uma característica comum aos pequenos povoados ou cidades pequenas, que se sentem 
preteridos pela modernidade que hierarquizou as cidades grandes como opulentas e as cidades 
pequenas como atrasadas. Ao contrário do que nos revelaram os moradores acima, estas últimas 
[cidades pequenas] tendem a dizer, espontaneamente, “aqui não tem nada, aqui nada vai pra 
frente”, “você não conhece o atraso desse lugar...”.  
Prado   (1997),   em   seus   estudos   sobre   as   cidades   pequenas,   identifica   que   estas   são 
valorizadas por suas tradições (que “lamentavelmente estão se acabando” nas palavras de seus 
moradores),   mas   ao   mesmo   tempo,   são   desvalorizadas   porque   “não   vão   pra   frente”. 
Continuando, Prado menciona que, de uma certa forma, as avaliações positivas e negativas dos 
28
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moradores das pequenas cidades ou povoados deixam transparecer uma visão bipolar referente à 
“tradição X progresso” e parecem encerrar também um paradoxo, como se dissessem: o que é 
bom também é ruim. No entanto, esta constante, segundo Prado, não foi verificada nas falas 
espontâneas   dos   diversos   riopretenses   com   quem   conversamos.   Tenham   sido   eles   crianças, 
jovens, adultos ou idosos.
Estes fatos revelam que Rio Preto é um lugar que se destaca na topografia campista com 
atrativos turísticos, cujos moradores conservam auto-estima por sua terra e a respeito do turismo 
em Rio Preto, foi iniciada, em maio de 2005, enquanto eram processados os questionários da 
pesquisa, uma aproximação com as três pousadas rurais de Rio Preto, no sentido de fomentar o 
hábito de registro de informações sobre turistas visitantes. Dos 396 formulários que nos foram 
entregues pelas três pousadas, após um período de quatro meses (maio a agosto de 2005) pode-se 
constatar: 
a- Quanto ao gênero
Pode-se verificar que quase 60% da população visitante são do sexo masculino. Um dos 
motivos para esta proporcionalidade pode ser a atração pelos esportes radicais e/ou cavalgadas, 
práticas realizadas por maioria masculina.
29
Masculino
56%
Feminino
44%
Gráfico 1 – Porcentagem dos turistas visitantes, segundo gênero, mai 05 – ago 05.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
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b – Quanto à freqüência de visita a região 
Mais da metade dos visitantes entrevistados afirmaram ter ido duas ou mais vezes a Rio 
Preto,   o   que   mostra   o   potencial   turístico,   mesmo   sem   ainda   terem-se   constatadas   ações 
estratégicas voltadas para o desenvolvimento do ecoturismo na região.
c -  Quanto a faixa etária
Gráfico 3
 – Porcentagem de visitantes, segundo faixa etária
 .
É interessante verificar que uma significativa parcela da população acima de 40 anos 
(37%) encontra, em Rio Preto, uma opção de lazer e descanso. Isto mostra o potencial para que 
se instalem spas e instâncias de repouso na região, um público que, conforme se comprova em 
regiões como, Caxambu e São Lourenço/MG e Raposo/RJ, cresce a cada ano.
30
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
É a primeira vez que visita Rio Preto?
Sim
43%
Não 
57%
Gráfico 2 – Porcentagem dos visitantes, segundo freqüência de visita a 
região.
    Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
14%
12%
10%
6%
21%
37%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
De 15 a 20
anos
De 21 a 25
anos
De 26  a 30
anos
De 31 a 35
anos
De 36 a 40
anos
Acim a de
40 anos
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d –Quanto à cidade de origem
Verifica-se   que   quase   90%   dos   visitantes   provêm   do   município   de   Campos.   Este 
resultado mostra que os munícipes se utilizam dos benefícios ecoturísticos da região provando o 
potencial da mesma. Além disso  aponta para a urgente necessidade de um plano estratégico para 
o   desenvolvimento   ecoturístico   na   região,   o   que   atrairia   capital   externo   para   a   mesma   e 
promoveria um desenvolvimento endógeno e não agressivo aos moradores do local.
e- Quanto ao motivo da visita 
Gráfico 5 - Porcentagem de visitantes, segundo motivo de visita.
31
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
Gráfico 4 – Porcentagem de visitantes, segundo cidade de origem.
1%
1%
2%
2%
4%
6%
84%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
Campos
São
Fidélis
Macaé
São João
da Barra
Rio Preto
Muriaé
Niterói
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
91%
3%
1%
5%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
Descanso /
Lazer
Retiro Religioso
Treinamento
Profissional
Outros
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Verifica-se, no gráfico 5, que em sua quase totalidade (91%), o visitante busca a região 
de Rio Preto para descanso e lazer. Como apenas 14% destes visitantes são de outra localidade, 
pode-se constatar o quanto é mal explorado o potencial para o ecoturismo.
Vale ressaltar que qualquer ação, que busque incrementar o percentual de visitantes de 
outros municípios e regiões do Brasil, deve ser seriamente pautada, em um programa estratégico 
de desenvolvimento. Se assim não for feito podem-se causar danos irreversíveis aos recursos 
naturais ecoturísticos existentes.
f- Quanto à ocupação profissional do visitante 
Gráfico 6 - Porcentagem de visitantes, segundo ocupação principal.
 
O gráfico reflete a atual situação econômica do município que tem, no comércio, 
sua principal fonte de renda. Fica a surpresa do baixo percentual de funcionários públicos 
(passível de um estudo à parte), haja vista serem, os mesmos, um número significativo no 
município.
Quanto   ao   percentual   de   estudantes,   pode-se   justificar   o   percentual,   devido   a 
muitos deles, por uma limitação financeira e proximidade da região com Campos, irem e 
voltarem no mesmo dia. Esta observação se faz pertinente tendo em vista o município ser, 
atualmente, um pólo universitário regional.
32
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
5%
7%
5%
15%
16%
19%
24%
3%
3%
3%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
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g- Quanto ao tempo de permanência na pousada
           Gráfico 7 - Porcentagem de visitantes, segundo permanência na pousada.
Dada a proximidade com a cidade, sede do município, Campos dos Goytacazes, pode 
significar que as pessoas busquem mais a região em estudo, aos finais de semana e feriados. No 
entanto,   seria   necessário   ter   a   freqüência   de   todo   os   meses   para   traçar   um   gráfico   de 
sazonalidade.
h- Quanto ao que mais atrai o turista em Rio Preto 
Gráfico 8 - Porcentagem de visitantes, segundo o que mais atrai o turista  em Rio Preto.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
33
1 dia
41%
1 pernoite
41%
2 pernoites
7%
3 pernoites ou 
mais
11%
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
1%
2%
4%
8%
11%
17%
57%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
Paisagem
Tranqüilidade
Pousada
Boa
receptividade
Culinária
Diversão
Trilhas 
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Verifica-se que 74% dos visitantes procuram a região para desfrutar de suas belezas 
naturais   e   tranquilidade,   a   princípio,   independente   da   infraestrutura.   Os   resultados   mostram 
também, que com todo este potencial  in natura, os 11% atribuídos às pousadas poderiam ser 
mais   significativos,   indicando   que   um   bom   trabalho   sob   o   ponto   de   vista   administrativo   e 
mercadológico pode ser feito para incrementar este resultado.
i – Quanto a sugestões para melhoria
Gráfico 9 - Porcentagem de visitantes, segundo sugestões para melhoria do turismo em 
Rio Preto.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
Partindo-se do fato que há, atualmente, estrada asfaltada do grande centro da cidade de 
Campos dos Goytacazes até o centro urbano do povoado de Rio Preto, constata-se que os 53% 
das   sugestões   para   “melhorar   o   acesso”   podem   ser   entendidas,   também,   como   melhorar   as 
sinalizações turísticas oficiais (atualmente inexistentes), com indicações dos caminhos e pontos 
turísticos. Além disso, necessita-se de uma melhor sinalização de segurança nas rodovias de 
acesso. O percentual de 21%, referente à “mais divulgação”, pode corroborar esta análise, se 
entendida como “dar mais visibilidade” sobre Rio Preto como lugar onde se pode fazer turismo e 
não só visitar a natureza.
Vale   ressaltar,   novamente,   que   a   falta   de   um   plano   estratégico   integrado   à   região   é 
crucial, haja vista que ações isoladas não têm levado a resultados cumulativos nem satisfatórios.
As informações anteriores sobre os visitantes de Rio Preto, embora não nos revelem a 
quantidade de turistas por mês, indicam números significativos que corroboraram o depoimento 
34
4%
2%
2%
53%
21%
6%
4%
4%
2%
2%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
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de “Leandro de Rio Preto”, quanto à vocação turística local, objeto de nosso projeto quanto à 
preservação da beleza natural integrada a um turismo sustentável.
Apesar do tom otimista das palavras anteriores há, no entanto, que se ter um olhar crítico 
para   uma  dimensão  concreta   na  condução   deste  projeto,   ou  seja,  aquela   que  aponta   para  o 
cuidado de não transformar o nascente turismo ecológico de Rio Preto em idéia de “salvação da 
Pátria”. 
É certo que o turismo é um fenômeno em expansão no mundo e, por isso, tem sido 
freqüentemente   apontado   como   uma   “saída   estratégica”   para   o   desenvolvimento,   sendo 
incentivado pelos governos, desejado pelos empresários, procurado pelos consumidores e para os 
núcleos receptores, sobretudo os economicamente deprimidos (Simões, 2004, p. 10). No entanto, 
o turismo não deve ser visto como uma alternativa milagrosa com resultados econômicos em 
curto prazo. Às vezes, o desenvolvimento da atividade pode ter resultados catastróficos, nas 
localidades receptoras, decorrentes da ausência ou de um mau planejamento turístico. 
A sua gestão deve ter como objetivo a integração econômica e social, além de agir no 
sentido   de   impedir   e   controlar   o   que   Pereira   (1999)   denomina   como   "efeitos   perversos   do 
turismo”. Destaca-se, a desqualificação dos empregos, que freqüentemente, encontra-se ligada ao 
setor   informal   e   sofre   precariedades   como,   a   sazonalidade,   os   impactos   ambientais 
excessivamente predatórios, o agravamento das deficiências de saneamento básico e até, algumas 
mazelas sociais contundentes, como a prostituição – incluída à infantil.
35
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3 – METODOLOGIA
Partimos da  definição de Benko (apud  Simões, 2004, p. 8) que afirma  “o conceito de 
local e de global (...) não é apenas uma oposição entre os objetos de estudo, mas uma oposição 
de métodos”.  Conforme Santos (2004, p. 786), as alternativas que vêm sendo criadas global e 
nacionalmente, porém sem visibilidade, leva à proposição de uma abordagem que diz respeito ao 
processo político-cultural endógeno, geralmente  infra-nacional, em que reduzidos os espaços 
políticos e geográficos (povoados, municípios ou grupo de municípios) se reconhecem enquanto 
identidade. O ‘meio local’ configura-se, assim, como formador/construtor de uma ‘personalidade 
regional’,   com   características   físicas   e   humanas,   instituições   e   um  ethos  (atmosfera   que   a 
envolve). 
Essa é a diretriz metodológica geral do projeto a ser praticada de modo a disputar espaço 
com representações sociais (formas de perceber de uma determinada cultura) que subjugam e 
desqualificam o conhecimento e produções sociais, econômicas e culturais, nas pequenas cidades 
e povoados.
Tal direcionamento implica não admitir um relatório pretensamente objetivo apenas, com 
gráficos   e   números.   Nossa   perspectiva
  é   promover,   ao   mesmo   tempo,   uma   visão   ampla   e 
detalhada de suas características  demográficas,  sociais,  culturais  e ambientais,  o que poderá 
concorrer   para   análises   diversas,   dentre   elas,   busca   e   perspectivas   de   um   desenvolvimento 
endógeno na região.
A   seguir   são   apresentadas   informações   sobre   o   caráter   descritivo   e   exploratório   da 
pesquisa.
36
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3.1. – A PESQUISA DESCRITIVA 
As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de 
determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. 
São inúmeros estudos que podem ser classificados sob esse título e uma das suas características 
mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o 
questionário e a observação sistemática. Embora a pesquisa descritiva não tenha compromisso de 
explicar   os   fenômenos   que   descreve,   serve   de   base   para   leituras   diversas   conforme   escopo 
conceitual do interessado. 
No   caso   do   projeto   Desvendando   Rio   Preto,   o   caráter   descritivo   da   pesquisa   foi 
desenvolvido de modo sistemático, expondo características populacionais, econômicas e sociais 
de   Rio   Preto.   Para   elaborar   o   questionário   foram   seguidas   as   normas   do   IBGE   –   Instituto 
Brasileiro   de   Geografia   e   Estatística.   Para   avaliar   o   potencial   de   consumo   da   população 
pesquisada, os itens relativos  à existência de bens duráveis e grau de instrução  seguiram o 
Critério de Classificação Econômica do Brasil, mais conhecido como Critério Brasil
18
.  Para dar 
visibilidade aos tópicos pesquisados, foram fotografados prédios, paisagens e pessoas.  Para a 
aplicação dos questionários, foi feita capacitação com 45 graduandos voluntários do curso de 
Administração do ISECENSA, bem como um mapeamento do centro de Rio Preto em oito áreas 
de aplicação de questionários. 
Para identificar as residências pesquisadas, foram confeccionados adesivos com espaço 
para   numeração   a   serem   afixados   nas   residências,   em   local   visível,   após   a   aplicação   do 
questionário. Para movimentação dos grupos e controle do trabalho, durante a pesquisa, foram 
utilizados três carros e seis rádios transmissoresA pesquisa, nas 295 moradias, foi iniciada às 
14h e finalizada às 17 h 30 min do dia 29 de abril de 2005. Abaixo, seguem fotos do grupo que 
aplicou os questionários e imagem do adesivo:
18
 Segundo a ANEP - Associação Nacional de Empresas de Pesquisa, o Critério Brasil é uma ferramenta cientificamente válida capaz de 
estabelecer a unidade dos mecanismos de avaliação do potencial de consumo da população brasileira. Foi implementado em 1996 e 
desenvolvido pela ANEP a pedido da ABA - Associação Brasileira de Anunciantes (ANEP, 2002). 
37
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Figura   12  -   Equipe   de   graduandos   e   professores   do   ISECENSA   –   curso   de 
Administração, no dia 29 de abril de 2005, em Rio Preto, quando aplicaram questionários 
para a pesquisa demográfica e sócio-cultural.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA.
Figura 13 - Graduanda Raquel Azevedo,
 
entrevistando moradora do bairro “casa nova”, 
no dia 29 de abril de 2005, em Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA.
38
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Figura 14  - Graduanda  Vanessa Viana Pessanha,
 
entrevistando moradores do bairro 
“Casa Nova”, dia 29 de abril de 2005, em Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA. 
Figura 15  - Adesivo de controle da pesquisa
  -  
Editoração gráfica de Maria Nathércia 
Damian Ribeiro / ISECENSA.
   Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto / ISECENSA. 
39
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3.2 – A PESQUISA EXPLORATÓRIA 
As pesquisas exploratórias têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o 
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que essas 
pesquisas têm como principal objetivo o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. 
Adotou-se,   também,   um   caráter   exploratório   de   pesquisa,   tendo   em   vista   que   as 
informações sobre Rio Preto encontram-se dispersas, havendo pouco conhecimento acumulado e 
sistematizado a respeito. Esta etapa da pesquisa foi realizada de modo assistemático, consistindo 
na coleta de cópias ou originais de documentos orais ou escritos durante um semestre. O material 
coletado   encontra-se   em   vários   tópicos   do   relatório,   mas   principalmente   na   parte   histórica, 
geográfica e cultural de Rio Preto. 
Na   etapa   exploratória   da   pesquisa   os   graduandos   de   Administração   participaram, 
buscando mapas, documentos, informações e fazendo registros de áudio e/ou fotográficos de 
pessoas, instituições e paisagens.
40
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4 – CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO 
A seguir será apresentado o perfil populacional, o perfil domiciliar, o perfil econômico-
familiar, a percepção dos entrevistados quando ao povoado. Neles, estão sendo contemplados, 
tanto dados primários quanto secundários, concomitantes na perspectiva descritiva e exploratória 
da pesquisa.
4.1 - PERFIL POPULACIONAL 
Como   breve   histórico   populacional   de   Morangaba,   podemos   observar,   no   gráfico   a 
seguir, que sua população, em números redondos, em 1970, contava 6.500 habitantes. Caiu para 
4.300 em 1980 e para 3.300 no ano 2000, ou seja, redução de, aproximadamente, 50% em 30 
anos. É possível que tal redução, entre a década de 80 e o ano 2000, tenha sido motivada pela 
falência  da  usina  de  açúcar  Nova  Horizonte  que  forçou mudanças   das relações   de trabalho 
assalariado para relações de trabalho como produtores rurais mercantis, acoplada à atração de 
trabalho que os centros de Campos e Macaé passaram a constituir neste período.
Tabela 1 - População residente do município de Campos dos Goytacazes/RJ.
Fonte: 
IBGE – População residente, segundo os distritos – Município de Campos dos Goytacazes – 1970 – 2000
Com relação à população pesquisada, o total foi de 1164 habitantes, em 295 residências e 
esta se restringiu ao centro de Rio Preto, área onde está concentrada a maioria 
dos recursos de 
infra-estrutura urbana do distrito, bem como a maior densidade de domicílios. O restante da 
população   de   Rio   Preto,   estimada   em   50   famílias,   que   se   distribui   pela   periferia,   não   foi 
pesquisado, mas como a amostra utilizada se revela, quantitativamente, próxima ao universo da 
população de Rio Preto (84%), o índice de erro é próximo de zero.
41
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4.1.1 - Estrutura da população pesquisada por sexo
Como é possível observar na tabela abaixo, a maioria da população de Rio Preto é 
feminina,   correspondendo   a   53%   do   total   da   população,   embora   não   seja   uma   diferença 
significativa. 
A predominância das mulheres na coluna “Entrevistado no domicílio”, 72%, pode ser 
atribuída ao fato de que, no horário da pesquisa, os homens estivessem ou trabalhando ou em 
momento de lazer com os amigos.
Tabela 2 – População entrevistada e residente, segundo gênero, na localidade de Rio Preto.
      
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
O gráfico a seguir permite uma visão geral do percentual de pesquisados por gênero:
42
Sexo
Entrevistad
o no 
domicílio
(A)
%
(A)
Moradores no 
domicílio
(B)
%
(B)
Total da população 
pesquisada
(C)
%
(C)
Masculino
82
28
465
53,5
547
47
feminino
213
72
404
46,5
617
53
Total
295
100
869
100
1164
100
Masculino 
47%
Feminino
53%
Gráfico 10 – Porcentagem da população pesquisada, segundo o gênero.
       Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
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Consideradas   as   informações   da   tabela   abaixo,   com   relação   ao   total   de   homens   e 
mulheres de todo o distrito de Morangaba, onde se situa Rio Preto, pode-se inferir que a situação 
se inverte. A população feminina configura um percentual de 47,5% e os homens de 52,5%.
Tabela 3
– 
População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os distritos, os 
subdistritos  e os bairros – município de Campos dos Goytacazes – 2000.
         
            Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000
43
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4.1.2 - Estrutura da população pesquisada por idade
 Neste quadro, observamos o quantitativo de crianças e jovens em Rio Preto ( 27%) que 
“aguardam”   a   maior   idade   para,   provavelmente,   saírem   em   busca   de   trabalho   na   “cidade 
grande”. Esse indicador nos levou a julgar ser de suma importância traçar um objetivo dentro do 
projeto para fixar os jovens em sua terra natal.
Tabela 4  – População de entrevistados e moradores nos domicílios, segundo a faixa 
etária.
     
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Gráfico 11 – Porcentagem da população pesquisada, segundo à faixa etária.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
44
Faixas 
etárias
Entrevistado 
no domicílio
(A)
%
(A)
Moradores do 
domicílio
(B)
%
(B)
Total da população 
pesquisada
(C)
%
(C)
0 a 14
0
0
311
36
311
27
15 a 19
16
5,5
108
12,5
124
11
20 a 29
62
21
123
14
185
16
30 a 39
72
24,5
93
11
165
14
40 a 49
51
17
64
7
115
10
50 a 59
40
13,5
55
6
95
8
acima de 60 
anos
54
18,5
47
5,5
101
8,5
Não 
respondeu
0
0
68
8
68
5,5
TOTAL
295
100
869
100
1164
100
5,5%
27%
11%
16%
14%
10%
8%
8,5%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
0 a 14 anos
15 a 19
anos
20 a 29
anos
30 a 39
anos
40 a 49
anos
50 a 59
anos
60 anos ou
mais
Não
respondeu
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4.1.3 - Estrutura da população pesquisada por escolaridade
As   tabelas   e   os   gráficos   adiante   apresentam,   de   forma   comparativa,   as   taxas   de 
escolaridade  de  Rio Preto, Morangaba e Campos dos Goytacazes. 
Vale observar, no gráfico a seguir, que as taxas de alfabetização do município de Campos 
dos Goytacazes são inferiores às da média estadual, mesmo quando comparadas separadamente 
nas áreas urbanas e rurais:
Gráfico 12 - Taxa de Alfabetização de 15 anos ou mais segundo situação do domicilio – 
Estado, Região Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes – 2000.
      Fonte: Prefeitura de Campos dos Goytacazes – Perfil Populacional 2003,  p. 56.
Tabela 5 - Taxa de Alfabetização de 15 anos ou mais, segundo situação do domicílio – 
Estado, Região Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes – 2000.
45
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Observa-se, também, a partir da tabela acima, que a taxa de alfabetização de Morangaba é 
a mais baixa de todo o município de Campos dos Goytacazes, considerando também que seja 
inferior à média no Estado e na Região Norte-Fluminense. 
Na tabela adiante, são apresentados os chefes de domicílios segundo grupos de anos de 
estudos. Praticamente um terço dos chefes do município (32,6%) mal sabem ler e escrever. Se 
considerarmos aqueles que têm menos de três anos de estudo como analfabetos funcionais, no 
distrito de Morangaba, está o mais alto índice de baixa escolaridade de Campos dos Goytacazes, 
com um percentual de 71,3%.
 
Tabela 6 – Pessoas responsáveis pelos domicílios segundo grupos de anos de estudo – 
Estado, Região Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes – 2000.
O   Instituto   Brasileiro   de   Geografia   e   Estatística   (IBGE)   aponta,   no   ano   de   1996, 
15.560.260 pessoas analfabetas na população de 15 anos de idade ou mais, perfazendo 14,7% do 
universo de 107.534.609 pessoas nesta faixa populacional. Apesar de queda anual e de marcantes 
diferenças regionais e setoriais, a existência de pessoas que não sabem ler ou escrever, por falta 
de condições de acesso ao processo de escolarização, deve ser motivo de autocrítica constante e 
severa. É de se notar que, segundo as estatísticas oficiais, o maior número de analfabetos se 
constitui de pessoas com mais idade, moradores em regiões pobres e interioranas e provenientes 
dos grupos afro-brasileiros.
46
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A situação da escolaridade, em Rio Preto, resultado da pesquisa Desvendando Rio Preto, 
confirma as informações:
Tabela   7  –   População   de   entrevistados   e   moradores   nos   domicílios,   segundo   a 
escolaridade.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA 
Gráfico 13 – Porcentagem da população pesquisada, segundo a escolaridade.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA.
Um número a destacar nos dados acima é o percentual de 53,5 % da população com o 
Ensino Fundamental incompleto, que somados aos 16% dos que não sabem ler, totalizam 69,5% 
de jovens e adultos analfabetos ou analfabetos funcionais. Estes não devem prosseguir os estudos 
devido à ausência de ensino para jovens e adultos na localidade. 
O depoimento de uma diretora de uma escola de Rio Preto é taxativo:
Níveis de escolaridade
Entrevistados
no domicílio
(A)
%
(A)
Moradores 
no domicílio
(B)
%
(B)
Total da população 
pesquisada
(C)
%
(C)
Crianças com menos de 6 anos
0
0
109
12,5
109
9
 Não sabe ler                                
75
25,4
110
12,5
185
16
Fundamental Incompleto
157
53,2
464
53
621
53,5
Fundamental Completo
36
12,3
57
6,5
93
8
Ensino Médio Incompleto
15
5,1
58
6,5
73
6
Ensino Médio Completo
11
3,7
16
2
27
2,5
Superior Incompleto
1
0,3
1
0
2
0
Superior Completo
0
0
0
0
0
0
Não Respondeu
0
0
54
7
54
5
Total
295
100
869
100
1164
100
47
16%
8%
53,5%
2,5%
6%
9%
5%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
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(...) é urgente ter Educação de Jovens e Adultos em Rio Preto, mas com professores locais 
por causa do transporte. A violência aqui está aumentando entre as crianças que ficam 
vendo esses homens que arrumam briga nas festas ... é preciso muita educação por aqui.
No que tange à Educação de Jovens e Adultos (EJA), esta representa uma dívida social 
não reparada para com os que não tiveram acesso e nem domínio da escrita e leitura como bens 
sociais, na escola ou fora dela. Ser privado deste acesso é, de fato, a perda de um instrumento 
imprescindível para uma presença significativa na convivência social contemporânea.
Esta   observação,   tendo   em   vista   a   intencionalidade   de   promover   o   desenvolvimento 
endógeno em Rio Preto, faz lembrar que a ausência da escolarização não pode e nem deve 
justificar uma visão preconceituosa do analfabeto ou iletrado, como inculto ou "vocacionado", 
apenas para tarefas e funções "desqualificadas" nos segmentos de mercado. Muitos destes jovens 
e adultos, dentro da pluralidade e diversidade de regiões do país, nos mais diferentes estratos 
sociais, desenvolveram uma rica cultura baseada na oralidade como: a literatura de cordel, o 
teatro popular, o cancioneiro regional, os repentistas, as festas populares e as festas religiosas.
 
Como diz a professora Magda Soares (1998, p. 24):
...um adulto pode ser analfabeto, porque marginalizado social e economicamente, mas, se 
vive em um meio em que a leitura e a escrita têm presença forte, se interessa em ouvir a 
leitura de jornais feita por um alfabetizado, se recebe cartas que outros lêem para ele, se 
dita cartas para que um alfabetizado as escreva (...), se pede a alguém que lhe leia avisos 
ou indicações afixados em algum lugar, esse analfabeto é de certa forma, letrado, porque 
faz uso da escrita, envolve-se em práticas sociais de leitura e de escrita. 
Igualmente, deve-se considerar a riqueza das manifestações, cujas expressões artísticas 
vão   da   cozinha   ao   trabalho,   em   madeira   e   pedra,   entre   outras,   atestando   habilidades   e 
competências insuspeitas.
Estas orientações expressas no Parecer CEB nº 11/2000 pelo relator Jamil Cury servem 
perfeitamente como diretrizes de ação, em Rio Preto, por parte dos órgãos públicos vinculados, 
direta ou indiretamente com a EJA:
A  função  reparadora  da EJA,  no limite,  significa  não  só a entrada no circuito  dos 
direitos civis pela restauração de um direito negado: o direito a uma escola de qualidade, 
mas   também   o  reconhecimento   daquela   igualdade   ontológica   de   todo   e   qualquer   ser 
humano. Desta negação, evidente na história brasileira, resulta uma perda: o acesso a um 
bem real, social e simbolicamente importante. (2000, p. 7)
Lemos também, na Declaração de Hamburgo sobre a Educação de Adultos, de 1997, da 
qual o Brasil é signatário,
(...) a alfabetização, concebida como o conhecimento básico, necessário a todos, num 
mundo em transformação, é um direito humano fundamental. Em toda a sociedade, a 
alfabetização   é   uma   habilidade   primordial   em   si   mesma   e   um   dos   pilares   para   o 
desenvolvimento de outras habilidades. (...) O desafio é oferecer-lhes esse direito... A 
48
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alfabetização  tem também o papel de promover  a participação em atividades  sociais, 
econômicas,   políticas   e   culturais,   além   de   ser   um   requisito   básico   para   a   educação 
continuada durante a vida.
A ação deliberada de fundamentar a Educação de Jovens e Adultos, neste relatório deve-
se à importância da educação para o sucesso de qualquer projeto no povoado. 
Tal qual a diretora da escola de Rio Preto, este relatório enfatiza a urgência de uma 
intervenção sólida e continuada no campo da educação, dentro e fora da escola no povoado, 
principalmente na EJA, sob o risco de comprometer, como vêm comprometendo, os esforços de 
investimentos que lá são feitos.  Um plano estratégico situacional para Rio Preto, integrando as 
áreas da educação, saúde, cultura, econômica e ambiental, pode vir a constituir um projeto piloto 
de gestão social para pequenos povoados como existem às dezenas em Campos dos Goytacazes. 
49
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4.2 – PERFIL DOMICILIAR
De um modo geral, pode-se observar que os domicílios do centro de Rio Preto, em sua 
maioria, possuem infra-estrutura urbanizada, no que diz respeito às condições de saneamento, 
fornecimento de água / luz e coleta de lixo. Além disso, as condições de propriedade indicam 
que a maioria é proprietária de seu imóvel (70%). Abaixo, seguem informações sobre a infra-
estrutura dos domicílios.
4.2.1 -
 Condições de propriedade
Gráfico 14 – Porcentagem de domicílios, segundo as condições de propriedade.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Tabela   8  –  Domicílios   particulares-permanentes   segundo   a   condição   de   ocupação   – 
Estada, Região Norte Fluminense e Campos dos Goytacazes – 2000.
Comparando o gráfico de Rio Preto com a tabela de Campos, percebemos que a diferença 
de percentual de imóveis próprios é pequena. Já a comparação entre o percentual de imóveis 
cedidos pelo empregador é significativa: em Campos, 2% e Rio Preto, 9%.
50
Campos = 79% 
Campos = 2%
2%
1%
18%
9%
70%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Próprio - Já
pago
Cedido por
em pregador
Cedido por
outra form a
Alugado
Outra condição
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4.2
.2 
- Abastecimento de água
4.2.3 
- Escoadouro sanitário
4.2.4 
- Destino do lixo
51
Poço ou 
nascente
44%
Rede Geral
53%
Outra 
3%
Gráfico 15 – Porcentagem de domicílios, segundo tipo de abastecimento de água.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Fossa
61%
Vala
9%
Rede geral de 
esgoto / Pluvial
29%
Outro 
escoadouro
1%
Gráfico 16 – Porcentagem de domicílios, segundo tipo de escoadouro sanitário.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
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Gráfico 17 – Porcentagem de domicílios, segundo tipo de destino dos lixos.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto – ISECENSA
Quando   se   observa   a   tabela   dos   dados   de   Campos   dos   Goytacazes,   relativos   ao 
abastecimento de água, Campos e Rio Preto se aproximam em termos percentuais: 57% e 53%, 
respectivamente; quanto ao destino do lixo, observamos que em Rio Preto, há um percentual 
bem acima ao de Campos: 82% contra 60%, respectivamente.
Tabela   9  –  Domicílios   particulares   por   forma   de   abastecimento   de   água,   existência 
de banheiro ou sanitário, tipo de esgotamento sanitário e destino do lixo – Estado, Região 
Norte-Fluminense e Campos dos Goytacazes – 2000.
                              Fonte: IBGE, Censo Demográfico – 2000.
52
82%
14%
3%
1%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
Coletado por
s erviço de lim peza
Queim ado
Colocado em
caçam ba
Outro destino
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4.2.5 
- Iluminação elétrica
No gráfico, podemos observar o reduzido número de domicílios sem energia elétrica: 2%. 
No povoado, alguns depoimentos de líderes da comunidade são recorrentes ao afirmarem que 
este percentual de domicílios sem energia elétrica é 5%, porém acrescentam que “a Ampla é 
rápida quanto aos cortes quando há atraso de pagamento, mas demorada quanto à religação dos 
relógios ou quando há falta de energia no povoado, por falta de manutenção da rede”. 
No   entanto,  conforme   tabela  15,  na   página  62,  as  informações  acima   contradizem   a 
avaliação de 69,5 % dos moradores que classificaram os serviços de iluminação como “bons”. 
Uma   hipótese   para   a   contradição   pode   ser   o   fato   de   que   os   incômodos,   com   o   atraso   de 
manutenção ou religação, ainda são concebidos como menores do que aqueles que havia antes da 
iluminação chegar à maioria dos domicílios de Rio Preto.
Gráfico 18 – Porcentagem dos domicílios com energia elétrica.
53
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Sim
98%
Não
2%
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4.3 - PERFIL ECONÔMICO FAMILIAR
Abaixo   encontraremos   informações   que   revelam   as   condições   de   baixa   renda   da 
população de Rio Preto. É interessante observar que 66% dos domicílios têm a mulher com a 
ocupação   de   cuidar   da   casa   e   da   família   o   que   possibilita   como   revela   o   gráfico, 
“comercialização   familiar”.   Alguns   domicílios   (15%)   produzem   algo   para   melhorar   a   renda 
familiar, configurando potencial de produção caseira. 
Os tipos de produtos comercializados são: artesanatos com metal, biscuit, contas, crochê, 
material   orgânico   como   sementes,   raízes,   palhas   etc;   salgados   assados   e   fritos;   doces 
cristalizados, em compota, bolos, docinhos de forma, paçoca; queijos minas, frescal e ricota; 
bebidas aguardentes e licores; coisas da roça como lingüiça, galinha e ovo caipira.
4.3.1 - Renda mensal familiar
Figura 16 (mapa) – Distritos com chefe de domicílio com rendimento médio
            mensal até 1 salário mínimo. 
           
              Fonte: Perfil Populacional de Campos dos Goytacazes, 2003, pág. 62
54
Legenda - % de chefes de domicílio com Rendimento 
médio mensal até 1 salário mínimo
         De 60% a 65%
         De 60% a 65%
         De 60% a 65%
         De 60% a 65%
         De 60% a 65%
TOTAL MUNICÍPIO: 35,67%
FONTE: IBGE/Censo Demográfico 2000
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No mapa anterior, Morangaba destaca-se, negativamente, como um dos três distritos de 
Campos com a maior concentração de responsáveis, de 60 a 65%, por domicílio com renda até 1 
salário mínimo.
A pesquisa Desvendando Rio Preto comprova que o índice de pobreza é semelhante entre 
os riopretenses.
Gráfico 19 - Porcentagem de domicílios, segundo renda familiar.
 
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Verifica-se que, em Rio Preto, o fato é alarmante: quase 70% da população recebem, 
apenas,   até   um   salário   mínimo   por   mês.   Em   uma   região   com   o   já   comprovado   potencial 
ecoturístico, este quadro não seria necessário e mais uma vez, mostra a necessidade de um 
planejamento estratégico público para a região.
4.3.2 - Ocupação principal 
No gráfico abaixo, o maior percentual de entrevistados, 54%, mostra a ocupação principal 
“do lar”, que geralmente refere-se ao gênero feminino. A provável causa deste índice pode estar 
no fato de a entrevista ter sido realizada no sábado, à tarde, horário em que, provavelmente, os 
homens ainda estariam trabalhando ou em momento de lazer com amigos, deixando em casa a 
mulher com os filhos. 
55
67%
26%
6%
1%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Até 1 salário
mínimo
De 1 a 3 salários
mínimos
De 3 a 5 salários
mínimos
De 5 a 10 salários
mínimos
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Mas,  apesar disso,  pode-se inferir que o perfil  “empreendedor”  não está incutido no 
consciente   coletivo   local,   corroborando   a   necessidade   de   um   planejamento   ecoturístico   e   a 
presença de agentes externos à comunidade, como é o caso do presente projeto que prevê iniciar 
um processo  down up  (de baixo para cima),  fazendo a população despertar seus potenciais, 
através de ações planejadas de modo integrado e estruturante.
Gráfico 20 – Porcentagem das ocupações principais dos entrevistados
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
4.3.3 - Comercialização domiciliar
Gráfico 21 - Porcentagem dos domicílios que comercializam algum produto. 
       Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
56
8%
7%
2%
1%
6%
3%
54%
4%
2%
13%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
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Sim 
15%
Não
85%
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Apesar de ter sido detectado um número significativo de atividades artesanais voltadas 
para a vocação da região (produção de doces caseiros, queijos etc) verifica-se o quanto à região 
tem   a   oferecer.   A   intervenção   de   instituições,   como   o   SEBRAE,   poderia   alavancar   este 
percentual tornando os resultados, neste aspecto, mais favoráveis.
4.3.4 - Propriedade de bens
Gráfico 22 – Número de bens domésticos nos domicílios entrevistados.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Os   resultados   mostram   que   aproximadamente   90%   dos   moradores   das   residências 
entrevistadas   possuem   televisão   e   85%   geladeira,   em   contraponto,   ao   baixo   percentual   da 
presença de outros tipos de eletrodomésticos.
Isto mostra que a população encontra-se no “limiar mínimo de conforto” o que, de certa 
forma, aparenta um paradoxo para uma população que possui uma “mina de ouro” ambiental aos 
seus pés, em relação aos demais distritos do município.
57
77
27
3
58
249
271
254
32
0
50
100
150
200
250
300
T
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 4.3.5 – Classificação Econômica das Famílias de Rio Preto
A   seguir,   apresenta-se   uma   classificação   econômica   para   as   famílias   de   Rio   Preto. 
Objetivou-se mostrar como foram calculados os resultados. Por isso, preferiu-se explicitar os 
passos para aplicar o Critério Brasil, junto aos quadros e análises dos resultados, ao invés de 
colocá-los no item 3 – Metodologia
 
4.3.5.1 – Critério de Classificação Econômica Brasil 
19
Buscando unificar um critério de avaliação econômica do consumidor brasileiro, a ABA 
– Associação Brasileira de Anunciantes, ANEP – Associação Nacional de Empresas de Pesquisa 
e ABIPEME -  Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado vêm  trabalhando, 
desde 1996, na busca de uma alternativa que incorporasse, ao mesmo tempo, as experiências e 
dados anteriores com as propostas de atualização, levando-se em consideração as realidades do 
mercado contemporâneo. 
Este   novo   sistema,   batizado   de   CRITÉRIO   DE   CLASSIFICAÇÃO   ECONÔMICA 
BRASIL (CCEB), ou simplesmente Critério Brasil, enfatiza a função de estimar o poder de 
compra das pessoas, abandonando a pretensão de classificar a população em termos de classes 
sociais. 
De acordo com seus criadores, o CCEB foi “construído para definir grandes classes que 
atendam   às   necessidades   de   segmentação   (por   poder   aquisitivo)   da   grande   maioria   das 
empresas”. Elaborado a partir de técnicas estatísticas fundamentadas em dados coletivos, os 
autores não se omitem quanto aos dilemas estatísticos quando dizem que “em uma determinada 
amostra,   de   determinado   tamanho,   tem-se   uma   determinada   probabilidade   de   classificação 
correta e uma probabilidade de erro de classificação”. Neste caso, tendo em vista o treinamento 
dos   entrevistadores,   a   prática   tem   mostrado   que   as   ocorrências   de   casos   incorretamente 
classificados   são   pouco   numerosas,   não   distorcendo   significativamente   os   resultados   da 
investigação
.
O Critério Brasil está sendo utilizado pela ABA, ANEP e ABIPEME, desde primeiro de 
agosto   de   1997,   com   a   recomendação   expressa   aos   associados   para   que   o   utilizem.   Para   a 
melhora e atualização contínua do Critério Brasil, as três entidades fazem um acompanhamento 
permanente do critério, além de estudos de avaliação a cada dois anos.
Abaixo seguem informações técnicas para a construção do gráfico do Critério Brasil de 
Rio Preto que será comparado ao do país. O Sistema de Pontos apresenta-se do seguinte modo:
19
 Informações sobre o Critério Brasil disponível em http://www.abep.org/codigosguias/ABEP_CCEB.pdf.
58
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Tabela 10 – Descrição da pontuação dos bens domésticos - segundo Critério Brasil.
Posse de Itens
0
1
2
3
4 ou 
+
Televisão em cores
0
2
3
4
5
Videocassete
0
2
2
2
2
Rádio
0
1
2
3
4
Banheiro
0
2
3
4
4
Automóvel
0
2
4
5
5
Empregada mensal
0
2
4
4
4
Aspirador de pó
0
1
1
1
1
Máquina de lavar
0
1
1
1
1
Geladeira
0
2
2
2
2
Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira 
duplex)
0
1
1
1
1
 Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA
Tabela 11 – Descrição da pontuação do grau de instrução do responsável pelo domicílio - 
segundo Critério Brasil.
Grau de Instrução
Pontos
Analfabeto/Primário incompleto
0
Primário completo/Ginasial incompleto
1
Ginasial completo/Colegial incompleto
2
Colegial completo/Superior incompleto
3
Superior completo
5
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Considerando esses itens de consumo, grau de instrução do chefe da família e presença de 
empregada mensalista, foi obtida uma distribuição de pontos que permitiu dividir a população 
brasileira,   em   cinco   classes   econômicas,   ou   seja,   em   cinco   grupos   com   poder   de   compra 
diferenciado. Foi feita, ainda, uma subdivisão, nas duas classes superiores, chegando-se a um 
total de sete segmentos de renda e poder de compra, conforme pode ser observado a seguir:
Tabela 12 – Classes de cortes por classes econômicas, segundo Critério Brasil.
Cortes do Critério Brasil (dados LSE 96)
Pontos
A1
30 - 34
A2
25 - 29
B1
21 - 24
B2
17 - 20
C
11 - 16
D
6 -10
E
0 - 5
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
59
background image
A divisão das classes A e B em A1, A2, B1 e B2 atende às necessidades das empresas 
interessadas em ter uma "sintonia fina" do mercado, em função do processo de segmentação 
atual. De qualquer forma, é importante notar, mais uma vez, que o Critério Brasil não estabelece 
diferenças   ou   classificações   culturais,   pois   tem   características   exclusivamente   econômicas. 
Usando-se técnicas e cálculos adequados, foi possível estabelecer um parâmetro confiável de 
renda familiar de cada classe, tanto em termos de faixa de renda como de renda média. As 
referências são apresentadas abaixo:
Tabela 13 – Faixas de renda por classes econômicas - segundo Critério Brasil.
Classe
Pontos
Faixa de Renda
A1
30 - 34
R$ 7.793,00 ou  mais
A2
25 - 29
R$ 4.648,00
B1
21 - 24
R$ 2.804,00
B2
17 - 20
R$ 1.669,00
C
11 - 16
R$ 927,00
D
6 -10
R$ 424,00
E
0 - 5
até R$ 207,00
     
     Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Embora seja de fundamental importância que todo o mercado tenha ciência de que o 
Critério   Brasil,   ou   qualquer   outro   critério   econômico,   não   seja   suficiente   para   uma   boa 
classificação,   em   pesquisas   qualitativas,   a   presente   análise   serve   como   base   referencial   de 
comparação para estudos posteriores, sobre o potencial de consumo de Rio Preto, tendo em vista 
as perspectivas de desenvolvimento endógeno na região. 
4.3.5.2 – Análise do Critério Brasil em Rio Preto
Os quantitativos encontrados por classe econômica como referido acima foram:
Tabela 14 – Classificação econômica das famílias de Rio Preto - segundo Critério Brasil.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Na pesquisa de opinião, realizada pelo projeto Desvendando Rio Preto, verificou-se que 
65% dos entrevistados pertencem à classe econômica D, o que significa que a renda média 
dessas famílias é de R$ 424,00. Verificou-se também que apenas duas das 294 famílias visitadas 
(cerca de 1%) apresentam uma renda familiar na média de R$1.669,00. Conforme o gráfico 
         CLASSE
A1
   A2
   B1
   B2
    C
    D
    E
       Pontuação
30 - 34 25 - 29 21 - 24 17 - 20 11 - 16 6 -10
0 - 5
Quantidade de 
famílias
0
0
0
2
43
193
56
60
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abaixo, cerca de 19% das famílias se enquadram na classe econômica E, com uma renda média 
familiar de até R$ 207,00. 
A seguir, podemos observar o gráfico que sintetiza as informações acima:
Gráfico 23  -  Porcentagem de famílias de Rio Preto por classe econômica - segundo 
Critério Brasil.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Para efeito comparativo, entre as médias das classes econômicas nacionais com as de Rio 
Preto, a localidade mostra um baixo potencial de consumo, concentrando 84% dos entrevistados, 
com renda média inferior a R$ 424,00, enquanto a média nacional é de apenas 35%, conforme 
explicitado no gráfico abaixo:
Gráfico 24 - Porcentagem de famílias, segundo classe econômica, que compara Rio Preto 
e a média nacional - conforme Critério Brasil.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
61
0%
0%
0%
1%
43 famílias
15%
193 famílias
65%
57 famílias
19%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Classe A1 Classe A2 Classe B1 Classe B2
Classe C
Classe D
Classe E
9%
19%
65%
15%
1%
0%
0%
0% 1%
5%
14%
36%
31%
4%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Classe A1 Classe A2 Classe B1 Classe B2 Classe C Classe D Classe E
Rio Preto
Brasil
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62
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4.4 - PERCEPÇÃO DOS ENTREVISTADOS QUANTO A RIO PRETO
A   seguir,   apresenta-se   uma   breve   investigação   exploratória   sobre   a   relação   dos 
entrevistados  com Rio Preto. Apesar de terem sido somente três perguntas sobre o tema,  é 
possível inferir que há uma relação positiva do morador com a sua terra. 
No primeiro gráfico (gráfico 25), a maioria, 78%, diz que não gostaria de sair de Rio 
Preto. No segundo (gráfico 26), também a maioria, 58%, diz que mora em Rio Preto porque 
gosta, que somados aos 21% que moram em Rio Preto, por uma relação afetiva/dependência com 
a   família,   totalizam   79%   de   vínculo   positivo   com   o   torrão   natal.   No   terceiro   (gráfico   27), 
descobre-se que um pouco mais de dois terços dos riopretenses entrevistados são “nascidos e 
criados”   no   lugar.   Revelam   a   existência   de   uma   população   própria   do   lugar,   com   tecido 
histórico, social e cultural enraizado, detentora de conhecimentos e saberes próprios do fazer e 
construir um cotidiano. Se não é rico materialmente, é rico em formas imateriais o suficiente 
para manter o gosto da população por seu lugar no planeta.
a – Quanto ao desejo de sair de Rio Preto;
Gráfico 25 – Porcentagem de entrevistados quanto ao “desejo de sair de Rio Preto”. 
  
      Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
63
Sim
22%
Não
78%
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b – Quanto ao vínculo com o lugar
Gráfico   26  –   Distribuição   percentual   de   moradores,   segundo   motivos   de   fixação   de 
moradia em Rio Preto.
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
c – Entrevistados “nascidos e criados” em Rio Preto
Gráfico 27 - Porcentagem dos entrevistados, quanto a serem “nascidos e criados” em Rio 
Preto. 
64
58%
13%
21%
3%
15%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Poque gos ta
Porque não
teve
oportunidade
de s air
Pela fam ília
Pelo em prego
Outro
Sim
69%
Não
31%
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
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5 - CARACTERÍSTICAS DE INFRA-ESTRUTURA
Esse tópico trata da avaliação dos moradores quanto à infra-estrutura dos serviços sociais, 
econômicos e urbanos disponíveis no povoado, conforme pode ser observado na tabela abaixo 
que  sintetiza  as  informações.  A  avaliação   dos  moradores  está  mesclada   a  informações  e/ou 
imagens de pesquisa exploratória sobre cada serviço, conforme pudemos coletar, em maior ou 
menor quantidade, conforme a disponibilidade dos informantes.
Tabela 15 -  Avaliação dos entrevistados quanto à qualidade da infra-estrutura urbana de Rio 
Preto
Serviços sociais, econômicos e sociais
Bom
(A)
%
(A)
Regular
(B)
%
(B)
Ruim
(C)
%
(C)
Serviços de saúde pública
75
25,5
121
41
99
33,5
Serviço de transporte coletivo
151
51
98
33,5
46
15,5
Educação pública
143
48,5
107
36
45
15,5
Limpeza urbana
157
53
97
33
41
14
Saneamento básico
96
33
103
34
96
33
Iluminação pública
205
69,5
71
24
19
6,5
Fornecimento de água
184
62
64
22
47
16
Serviços de comunicação
101
34
110
37
84
29
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Como   é   possível   observar,   os   riopretenses   destacam   quatro   serviços   como   bons 
(percentuais cujo valor é maior que a soma dos índices “regular” e “ruim”): iluminação pública, 
fornecimento de água, limpeza urbana e transporte. Nestes casos, será interessante observar, nos 
itens subseqüentes, que a avaliação positiva, principalmente, sobre a iluminação elétrica, que é 
considerada   o   melhor   serviço   pelos   percentuais   apresentados,   deve   ser   relativizado,   quando 
ouvidos depoimentos mais detalhados.
O pior serviço em Rio Preto, na opinião dos entrevistados, é o serviço de saúde. Os 
serviços   considerados   regulares   são   os   de   saneamento   e   o   de   comunicação,   haja   vista   a 
proximidade dos percentuais nas categorias bom, regular e ruim. 
O serviço de educação está entre regular e bom, na opinião dos entrevistados.
5.1 – SERVIÇOS DE SAÚDE
O serviço de saúde em Rio Preto é realizado pelo POSTO DE SAÚDE MORANGABA
fundado em 1972 e municipalizado em 1980. O posto é procurado não só pela população de Rio 
Preto, mas pelas outras localidades vizinhas. Possui 29 funcionários e as suas dependências são:
1 sala de curativo 
1 sala de vacina 
1 sala de esterilização 
4 consultórios: 
ginecológico 
65
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pediátrico 
clínico
odontológico 
1 sala de espera 
1 sala de CCZ  com 2 funcionários 
1 cozinha 
7 banheiros 
O número de médicos e dentistas é:
01 ginecologista
02 clínicos gerais
01 pediatra
03 dentistas
O horário de atendimento é das 7h às 17h, de segunda à sábado. Possui uma ambulância 
com   funcionamento   24h.   Abaixo,   podem-se   observar   os   horários   de   atendimentos   por 
especialidade, conforme informações da Chefe do Posto de Saúde:
PEDIATRIA -3ª feira (manhã)
CLÍNICA MÉDICA - 4ª feira (tarde); 6ª feira (manhã)
GINECOLOGIA - 3ª feira (manhã)
DENTISTA - 2ª feira aos sábados
Como   é   possível   observar,   os   plantões   são   poucos   para   a   demanda   das   diversas 
localidades, tornando-se um fator de insatisfação com os serviços de saúde, conforme assinalado 
na tabela no início deste tópico.
No   atendimento   pediátrico,   as   doenças   mais   comuns   são:   diarréia,   febre,   verminose, 
pneumonia e sinusite. São atendidas, em média, 40 crianças no dia do plantão pediátrico.
No atendimento clínico, as doenças mais comuns são: hipertensão (em média 80% dos 
pacientes atendidos), diabetes e gripe. São atendidos 40 pacientes no dia do plantão de clínica 
médica.
No atendimento ginecológico, as doenças mais comuns são as sexualmente transmissíveis 
(com   exceção   de   AIDS)   e   doenças   citopatológicas.   Os   exames   realizados   no   posto   são   os 
preventivos e pré-natais.
No atendimento odontológico, as três dentistas fazem atendimento adulto e pediátrico, 
com média de 25 atendimentos ao dia. 
66
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As vacinas são aplicadas em períodos de campanha, ou fora dela. Três  auxiliares de 
enfermagem atendem a comunidade, quanto aos primeiros socorros e curativos, de segunda a 
sábado, das 8h às 17h. A distribuição de remédios é feita regularmente no posto. 
Figura 17 - Fachada do Posto de Saúde de Morangaba, na entrada de Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
5.2 – SERVIÇOS DE 
TRANSPORTE
O serviço de transporte coletivo é realizado pela Empresa ROGIL Ltda em diversos 
horários:         
    RP/Campos          Campos/ RP 
  5:15                      6:00
  6:00                    10:00
  6:30                    12:00  
  8:00                    14:00  
10:00                    15:00
11:30                    17:00
13:00                    19:30
67
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Figura 18 - Ônibus da empresa Rogil que faz a linha Campos – Rio Preto
  Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
Gráfico 28 – Porcentagem dos transportes utilizados pelos entrevistados
 
Fonte: Pesquisa Desvendando Rio Preto - ISECENSA 
Os moradores de Rio Preto, em sua maioria (88%), utilizam ônibus para se locomover 
como mostra o gráfico acima.
Rio Preto tem três acessos, a partir da RJ 158, cuja entrada é frontal à Usina Santa Cruz e 
a outra que inicia na pedreira Itereré, ambas asfaltadas. O terceiro acesso é por Tapera. A entrada 
de Rio Preto é asfaltada e as principais ruas são calçadas com paralelepípedos de granito.
O asfaltamento da estrada que liga as localidades de Itereré e Rio Preto foi concretizado, 
no segundo semestre de 2000, facilitando o escoamento da produção local e transporte em geral. 
As   obras   na   estrada   foram   realizadas   com   uma   parceria   entre   a   Prefeitura   de   Campos   e   a 
68
2%
2%
8%
88%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
Ônibus
Carro particular
Transporte
Alternativo
Outros
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Petrobrás. A estrada asfaltada mudou a rotina dos moradores, segundo o senhor Paulo de Souza, 
criador de gado, num depoimento para um jornal campista. Contou àquela época:
A estrada nova fez mudar muita coisa por aqui. Até as carroças andam mais rápido e a 
gente tem mais tempo para cortar e levar a ração e o leite. O cavalo descansa mais porque 
a   carroça   corre   soltinha   no   asfalto.   Acabaram   os   solavancos   porque   não   tem   mais 
pedregulho na estrada, nem lama para atolar e atrasar a vida da gente.
Entende-se que a pavimentação da estrada foi um marco na história do desenvolvimento 
econômico e social de Rio Preto.
5.3 – SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO PÚBLICA
A educação pública no centro de Rio Preto é realizada por duas escolas estaduais, uma 
escola municipal e uma creche municipal.
Escola Estadual Notival Pedro Moll, fundada em 1968, possui 12 turmas de CA à 8ª 
série. São 344 alunos matriculados no turno diurno. Possui TV escola.
 
Figura 19 - Fachada da Escola Estadual Notival Moll, situada no final da
      rua principal do centro de Rio Preto.
 
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
Escola Estadual Morangaba, fundada em 1977, possui  7 turmas de CA à 4ª série. São 
175 alunos matriculados no turno diurno. Está localizada no extremo oposto da Escola Notival 
Moll, na via principal do centro de Rio Preto.
69
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Figura 20 - Fachada da Escola Estadual Morangaba, situada no início da rua principal do 
centro de Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
A Escola Municipal Roosevelt Crisóstomo de Oliveira possui 4 turmas, da 1ª à 4ª série, 
com 35 alunos no turno diurno. Está localizada fora do centro urbano de Rio Preto, em uma 
fazenda que denominam Fazenda do Barbosa.
Figura 21 - Fachada da Escola Municipal Roosevelt Crisóstomo de Oliveira, situada fora 
do centro de Rio Preto, em área de propriedade rural.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
Creche Escola Rio Preto, fundada, em 8 de maio de 2001, possui 5 turmas, 92 crianças 
matriculadas. Está localizada no centro de Rio Preto, próxima à entrada do povoado.
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Figura 22- Fachada da Creche Escola Rio Preto, situada no centro de Rio Preto, 
próximo à entrada do povoado.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
 
5.4 – SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA E SANEAMENTO
A limpeza urbana em Rio Preto é realizada por quatro funcionários da empresa Queiroz 
Galvão. A empresa Queiroz Galvão possui dois caminhões que recolhem o lixo dos domicílios. 
Somente 29% dos 295 domicílios entrevistados estão ligados à rede de esgoto, 61% utiliza fossa 
e 9% o escoamento, que é feito por vala a céu aberto.
5.5 – SERVIÇOS DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA
Os serviços de iluminação são realizados pela empresa Ampla S.A.. Segundo a pesquisa 
realizada   dos   295   domicílios,   98%   possuem   luz   elétrica.   As   vias   públicas,   que   totalizam 
aproximadamente 5 km, no centro de Rio Preto, são iluminadas por 197 postes com lâmpadas.
No entanto, segundo informações da vice-presidente da Associação de Moradores de Rio 
Preto, 5% dos domicílios não possuem energia elétrica e 70% não têm condições de pagar em 
dia. Além da pobreza que dificulta o pagamento das contas, há a dificuldade de locomoção para 
quitá-las. Rio Preto não tem banco nem casa lotérica para receber as contas de luz. Os cortes são 
rápidos e freqüentes. Segundo depoimentos, a Ampla corta a energia na sexta-feira à tarde, 
deixando famílias sem energia todo o final de semana. Famílias estas que tem pessoas idosas, 
crianças e medicamentos que tem que ser mantidos em baixa temperatura. 
O   depoimento   de   mau   atendimento   foi   corroborado   por   vários   entrevistados   que   já 
tiveram prejuízos econômicos em seus negócios por falta de energia:
Foram feitas várias reivindicações junto a Ampla para atender essas necessidades onde há 
de 8 a 10 resfriadores de leite (...) às vezes, há uma perda de mais de cinco mil litros de 
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leite devido à falta de energia. O transformador desarma e a Ampla leva mais de três dias 
para vir  corrigir.  A rede  tem falta  de manutenção,  a fiação  está podre.  (político  que 
representante a comunidade no legislativo campista)
O atendimento da Ampla é péssimo, demora no atendimento para manutenção e para 
religar, acarretando prejuízos de eventos, perda de leite e produtos em geral, por isso 
entramos com processo contra a Ampla. (proprietária de pousada rural)
   
Quanto há falta de energia demora muito para religar e com isso há perda de produtos 
como massas em geral, carnes, queijos etc. (proprietário de comércio local).
Em que pese os objetivos de desenvolvimento endógeno na região de Rio Preto, é patente 
a necessidade de melhoria da qualidade dos serviços de energia na localidade de forma a, não só 
reduzir prejuízos, mas permitir  a instalação de outros negócios.
5.6 – SERVIÇOS DE FORNECIMENTO DE ÁGUA
O serviço de abastecimento é feito pela empresa Águas do Paraíba e esta serve a 53% dos 
295 domicílios entrevistados. Abaixo, podemos observar as instalações da caixa d’água e 
instalações de tratamento e distribuição da água para a população.
Figura 23 - Caixa d’água da empresa Águas do Paraíba que abastece 53% dos domicílios 
de Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
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Figura 24 - Instalações de tratamento e distribuição de água em Rio Preto, a partir de 
dois ângulos de visão.
                 Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
5.7 – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO
 
Rio Preto possui pouco mais que uma dezena de “orelhões“ e algumas poucas linhas de 
telefonia fixa. A única operadora de celular que, até o momento, possui sinal, em Rio Preto, é a 
Vivo.
Rio Preto possui uma rádio comunitária AM que pertence à Igreja Pentecostal El Triunfo. 
Há uma agência de Correios com horário de funcionamento irregular.
 
Figura 25 - Local onde funciona a rádio comunitária, dentro da igreja El Triunfo. 
            Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
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Figura 26 - Local onde está instalada a agência dos Correios, localizado no centro
de Rio Preto (observar a placa da EBCT).
           Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA.
5.8 – SERVIÇOS DE ATENDIMENTO JURÍDICO
Em Rio Preto há, um cartório, fundado em 1917, que antes funcionava na Estrada Bela 
Vista (rua principal de Rio Preto) e desde 2001, está localizado ao lado do Posto de Saúde, na 
entrada do Povoado. Possui registros de propriedades e registros civis.
Figura 27 - Prédio do Cartório de Registro Civil do 9º distrito, localizado na entrada
 de Rio Preto.
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
Em Rio Preto, também funciona o Núcleo de Assistência Jurídica, fundado em 6 de 
outubro de 1999. O atendimento é feito por um advogado e uma estagiária às quartas-feiras.  As 
informações mais procuradas são sobre pensão alimentícia e separação, totalizando, em média, 
oito atendimentos por dia. 
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Figura 28 - Prédio do serviço de Assistência Jurídica Municipal – Núcleo 
Morangaba
 
      Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
5.9 – SERVIÇOS SOCIAIS E DE LAZER 
Rio   Preto   possui   duas   associações:   a   Associação   de   Moradores   de   Rio   Preto   e   a 
APRONIB – Associação dos Pequenos Produtores Rurais Assentados em Novo Horizonte e 
Baiano. Há também o Grupo da Terceira Idade Eni Fortunato.
Embora Rio Preto não tenha um Clube do Cavalo, as atividades de prova do laço, de 
cavalgada,   são   constantes,   inclusive   com   lideranças   locais   que   participam   de   concursos   na 
região.
Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA         Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
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Figura 30 - Sede do Novo Horizonte Futebol 
Clube, localizado na rua principal de Rio 
Preto
Figura 29 - Sede do Grupo de Terceira 
Idade Eni Fortunato,  localizado na rua 
principal de Rio Preto
 
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Figura 31 – Grupo de Cavalgada, realizando passeio em Rio Preto
       Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
5.10 – SERVIÇOS DE ATENDIMENTO AGROPECUÁRIO
Em Rio Preto, há um posto da EMATER para atendimento aos produtores locais.  O 
escritório da EMATER foi inaugurado em novembro de 1990 tendo realizado atividades de 
naturezas diversas como:
-
Unidades   demonstrativas   didáticas   –   com   fornecimento   de   sementes   de 
maracujá e laranja, além da estrutura  de arame, esteio  e acompanhamento 
técnico;
-
Incentivo à piscicultura – com realização de barragens e tanques para criação 
de peixes;
-
Cursos de indústria caseira em parceria com a Fundação Leão XIII, com o 
sentido de aproveitar a própria produção local;
-
Apoio ao associativismo promovendo encontros com produtores
-
Incentivo ao escoamento à produção local através da “Feira da Roça”;
-
Curso de avicultura caipira e incentivo à olericultura.
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Figura 32 – Entrada para a sede EMATER em Rio Preto,
 localizada no centro de Rio Preto
Fonte: Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
5.11 – SERVIÇOS DE COMÉRCIO E NEGÓCIOS PRODUTIVOS
Em Rio Preto, o maior número de comércio é o de bares ou botequins. Os maiores 
estabelecimentos comerciais são um supermercado,  uma loja  de material  de construção, um 
açougue e uma lanchonete. Na área de prestação de serviço, destacam-se as três pousadas: Bicho 
Souto, mais antiga, fundada em 1997; Olho D’água e Recanto das Cachoeiras, fundadas em 
2003. Há em torno de 25 pequenos produtores de artesanato, de queijos, de salgados, de cachaça, 
de doces diversos e de produtos da roça, como lingüiça, galinha e ovos caipira. Destacam-se, 
também, a engarrafadora de água mineral “Sagrada” e a produção de leite. Em Rio Preto, são 31 
produtores que levam em torno de 1600 litros diários para um resfriador no centro do povoado. 
O maior negócio de Morangaba é a fábrica de goiabada, Tia Sônia, com 21 empregados, porém 
não está situada na região de Rio Preto.
Abaixo seguem algumas fotos ilustrativas dos negócios existentes em Rio Preto:
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Figura 33 – Casa de material de construção 
Agropecuária Novo Horizonte.
Figura 34 – Instalações Pousada Bicho Souto
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Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA           Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
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Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA           Coleção Projeto Desvendando Rio Preto/ISECENSA
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Figura 36 – Instalações da Pousada Olho 
D’Água
Figura 35 – Instalações da Pousada Recanto 
das Cachoeiras
Figura 38 – Instalações do Supermercado 
Codeço, localizado no centro de Rio Preto
Figura 39 – Refrigerador onde é recolhido leite 
de diversos produtores, no centro de Rio Preto
Figura 37 – Entrada da engarrafadora de Água 
Mineral Sagrada, localizada na estrada, entre 
Itereré e Rio Preto
Figura   40  –   Mostruário   de   goiabadas   da 
Fábrica de Goiabadas Tia Sônia, estrada 
de acesso a Rio Preto.
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6- COMENTÁRIOS FINAIS
Tendo em vista o cunho descritivo e exploratório da pesquisa, os comentários serão de 
caráter   indicativo,   apontando   caminhos   para   ações   integradoras   e   sistêmicas   visando   à 
transformação de mentalidade, hábitos e atitudes, individuais e coletivas para garantir resultados 
continuados para um desenvolvimento endógeno e para recuperação ambiental em Rio Preto. 
Afinal, acreditamos como Sachs (2004, p. 29) que “o maior potencial de empregos e de auto-
empregos decentes esteja no mundo rural” mesmo considerando, paradoxalmente, o alto índice 
de redução de postos de trabalho no setor agropecuário na atualidade.
Como foi possível perceber, ao longo dos gráficos e tabelas da pesquisa, há uma série de 
indicadores   sociais   e   econômicos   insatisfatórios   que   não   se   justificam,   tendo   em   vista   a 
quantidade de investimentos e projetos já realizados na região e, mais ainda, tendo em vista o 
potencial turístico da região. 
As análises apontam duas questões estratégicas que não estão sendo levadas em conta e 
que, de certa forma, explicam os resultados insatisfatórios: a desarticulação entre as iniciativas 
de investimentos e de projetos em Rio Preto e a orientação de “cima para baixo” na elaboração 
dos projetos incentivadores de sustentabilidade no povoado. 
Em decorrência disso, como sugestão, indica-se um plano diretor para a região de Rio 
Preto, tal como foi indicado para a Região do Imbé, na Lei Orgânica Municipal em 1990
20
, que 
contemple   um   plano   estratégico   ecoturístico   e   um   plano   operacional   que   contemple   ações, 
principalmente, por parte do poder público, que reforce as já iniciadas neste projeto para que 
tragam, através do desenvolvimento endógeno pelo ecoturismo, o desenvolvimento sustentável 
da região, o que implica, também, pensar na questão ambiental.  
No entanto, sob o olhar sistêmico rigoroso, só é possível garantir resultados permanentes, 
em desenvolvimento endógeno e em recuperação ambiental, se houver profunda transformação 
de mentalidade, hábitos e atitudes, individuais e coletivas, de cidadãos e organizações locais. 
20
 Lei orgânica de Campos dos Goytacazes - Título VI – Disposições Gerais e Transitórias
Art. 53- Para os efeitos de aplicação prioritária dos recursos e investimentos de que tratam os artigos 99, 163 a 166 e 
o art. 28 do Título das Disposições Gerais e  Transitórias desta Lei, fica declarada área de interesse turístico, social e 
ecológico a região do Imbé, integrante do distrito de
 Morangaba.
§1°- Noventa dias após a promulgação desta Lei, será criada Comissão de Estudos para o Desenvolvimento do Imbé,  composta 
de   três   membros   indicados   pelo   Poder   Legislativo,   três   pelo   Poder   Executivo   e   três   pela   Comunidade   interessada,   com   a 
finalidade de elaborar estudos e anteprojetos que resultem num Plano Integrado.
§2°- No prazo de 04 (quatro) meses, a Comissão submeterá ao Poder Legislativo o referido plano, em forma de projeto de lei, 
para ser votado nos 06 (seis) meses subseqüentes, extinguindo-se logo após.
§3°- Caberá ao Poder Executivo a execução das ações inseridas no Plano Integrado, em articulação com órgãos e entidades das 
administrações federal e estadual, além de outras da esfera particular e comunitária, no que couber.
§4°- Qualquer empreendimento na área a que se refere este artigo só poderá ser iniciado depois que o respectivo projeto for 
aprovado pelos órgãos públicos encarregados da defesa do meio ambiente.
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Dessa forma, é necessário criar uma estrutura para a sustentação de ações permanentes de 
desenvolvimento endógeno, bem como de restauração da biodiversidade da Bacia de Rio Preto, 
situada em Morangaba, 9º distrito de Campos dos Goytacazes – RJ, junto as, aproximadamente, 
quatrocentas  famílias residentes em sua sede denominada Rio Preto.
Tal   perspectiva   leva   este   relatório   a   deixar   algumas   indicações   prévias   para   serem 
submetidas à discussão com possíveis parceiros para o projeto, tendo em vista ações de sucesso 
que o ISECENSA vem obtendo naquela região, orientado por uma metodologia que privilegia os 
conceitos de articulação confiança comunitária.
Prioritariamente, como eixo estruturante, haveria um objetivo que seria criar projeto para 
trabalhar a “Marca Rio Preto”, de arranjo sócio-produtivo de ecoturismo de base comunitária, no 
qual poderiam estar vinculados mais três objetivos: 
1- criar um projeto para a população jovem do Rio Preto, concentrando formação 
intensiva na infância e juventude local, em idade escolar, em torno dos 600 
alunos,   em   ações   complementares   às   das   escolas,   incentivadoras   de 
subjetividades   empreendedoras   e   cidadãs,   fixadoras   do   jovem   a   sua   terra 
nativa;  
2- criar um projeto de Memória e História de Rio Preto para constituir acervo dos 
saberes/ histórias locais para difusão e valorização da cultura local;  
3- criar um projeto para a Mata Atlântica, no sentido de educar para cuidar e para 
não faltar aquilo que mais atrai os turistas. Forjar ações cidadãs recuperadoras 
de matas ciliares e nascentes, através por meio do cultivo e plantio de mudas 
de espécies nativas e, principalmente, promotoras de educação ambiental de 
jovens de Campos e municípios vizinhos, em torno daquilo que mais atrai os 
turistas para Rio Preto, a beleza natural, com a intenção de configurar Rio 
Preto como centro de referência em educação ambiental regional. 
A iniciativa do ISECENSA, (instituição que já atua naquela região com um projeto sócio-
acadêmico   “Desvendando  Rio Preto:   um despertar   para  o desenvolvimento  social”),   há  seis 
meses, é considerada como trabalho prático de aplicação de conhecimentos adquiridos pelos 
graduandos do curso de Administração, que poderá ter a aliança de  instituições parceiras da 
esfera pública ou privada. Ao investir na recuperação ambiental, no crescimento sustentável e na 
fixação do jovem de Rio Preto, através do fomento aos pequenos negócios de turismo rural, pode 
significar a estruturação de ponto de apoio estratégico e operacional da Prefeitura de Campos dos 
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Goytacazes, com fins de replicação em outras áreas, em
 
processo de degradação ambiental/social 
da cidade de Campos dos Goytacazes e municípios circunvizinhos na Bacia de Campos.
Por outro lado, a recuperação de nascentes e matas ciliares, com plantio de mudas de 
espécies nativas, em uma área que já vem demonstrando, segundo moradores, redução do fluxo 
de água nos rios, é ação estruturante para a população assumir o compromisso com a vocação 
sócio-econômica que se fortaleceu a partir de 2002: o ecoturismo. A beleza natural
 
da região 
está, paulatinamente, tornando-se a “galinha dos ovos de ouro” de Rio Preto. “Cuidar para não 
faltar”   passa   a   ser   uma   estratégia   educadora   de   bom   senso   a   ser   incentivada   na   região, 
ampliadora não só dos recursos naturais em processo de degradação, mas também ampliadora de 
renda na região. 
O desafio que se impõe é de dupla natureza. A dimensão ambiental – que envolve tanto 
as bases das amenidades naturais, quanto fontes de energia e biodiversidade – no sentido de agir 
essencialmente no sentido de torná-las cada vez mais valiosas à qualidade da vida. E a dimensão 
humana, que constitui a base para o comprometimento com o sucesso de qualquer projeto ou 
investimento social. 
Por isso, um fator comum a todos os objetivos seria o caráter administrador / educador, 
que os atravessaria, dando-lhes coesão e coerência. Dessa forma, o projeto pretenderia que Rio 
Preto estabelecesse novas relações entre o urbano e o rural, a partir da aliança, no presente, do 
mundo   rural   com   o   mundo   do   jovem   urbano,   sob   o   paradigma   ecológico,   promotor   de 
sustentabilidade   no   futuro.   Além   disso,   integrar   Rio   Preto,   no   movimento   mais   recente   da 
globalização, em que o alcance das responsabilidades cívicas, sobre as condições naturais do 
desenvolvimento humano, passou a fazer parte da agenda das relações internacionais.
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7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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falando a mesma língua- entrevista com Ney Luiz Silva (Diretor Técnico da ANEP).  Brasil 
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